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Em três anos de operação dos aplicativos de transporte em Porto Alegre, sistema de ônibus perdeu 59 milhões de passageiros

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Foto: Jefferson Bernardes/ PMPA

Na live desta quinta-feira, 13, em que a prefeitura de Porto Alegre apresentou os projetos que estão sendo enviados à Câmara de Vereadores para mexer no financiamento do transporte público da Capital, alguns dados importantes foram apresentados pelo secretário municipal de Mobilidade Urbana, Rodrigo Tortoriello.

Entre eles o número de pessoas que utilizam o transporte público em Porto Alegre. São 30% dos quase 1,5 milhão de habitantes, ou seja, praticamente 500 mil pessoas. Também, com base em dados do portal Mobilize, que o porto-alegrense compromete quase 14% da sua renda com transporte, colocando a capital gaúcha em quinto neste ranking.

Fonte: EPTC/Reprodução

Mesmo antes da pandemia já se falava na crise do transporte público de Porto Alegre. Com a pandemia e a perda vertiginosa de passageiros, a situação apenas se agravou. Nos último oito anos, Porto Alegre viu 32% menos passageiros em seus ônibus, que em 2019 ficaram na faixa dos 230 milhões, segundo dados da EPTC. Apenas entre 2016 e 2019 (período em que houve uma consolidação dos aplicativos de viagem), a queda foi de 59 milhões de passageiros.

A tarifa única do transporte, que é o modelo adotado em Porto Alegre e na maioria das cidades, permite que viagens longas custem o mesmo valor que as curtas aos passageiros. Mas o custo real dessas viagens é diferente. Por isso o sistema de compensação trata de fazer uma equiparação: as linhas mais curtas acabam financiando as mais longas.

Porém, desde a chegada dos aplicativos de transporte em Porto Alegre, em novembro de 2015, as linhas de viagens mais curtas foram as que mais sentiram a perda de passageiros, pois os trajetos começaram a ser feitos pelos veículos de aplicativos. Logo, a lógica de financeirização do sistema de ônibus começou a ruir de maneira mais rápida a partir disso.

A tarifa, hoje em R$ 4,70, se coloca no centro da discussão. As isenções, hoje em 30%, estão oito pontos percentuais acima da média nacional. De cada três passageiros, um não paga passagem em Porto Alegre. O custo de pessoal representa 48% da tarifa.

O especialista Jurandir Fernandes, presidente da divisão para América Latina da UITP (Associação Internacional do Transporte Público), comentou que os reflexos da pandemia devem incidir, de maneira permanente, no transporte público.

“A queda no número de passageiros não é apenas no transporte público, mas na mobilidade como um todo. O comércio eletrônico está ganhando força. O trabalho em casa, a consciência de segurança em viagens, estilo de vida de mobilidade mais saudável, digitalização de ofertas, reuniões por vídeo”, destacou.

Agora, às vésperas da eleição e em meio a um processo de impeachment do prefeito, caberá aos vereadores decidirem sobre as cinco propostas encaminhadas pelo Paço, a mais polêmica delas a que cria um “pedágio” de R$ 4,70 para veículos que acessarem o Centro de Porto Alegre em dias úteis, das 7h às 20h.

Leia também: Prefeitura enviará novas propostas para o transporte coletivo à Câmara; uma delas prevê tarifa de R$ 4,70 para veículos circularem no Centro

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