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Em Porto Alegre, os mesmos problemas a cada chuva forte. Por quê?

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O Arroio Sarandi, na zona norte de Porto Alegre (Imagem: Reprodução TV Record RS)

A cada nova chuva forte, como a desta terça-feira, 30, em Porto Alegre, a pauta da drenagem urbana volta ao debate. O assunto, porém, não pode ser tratado de maneira isolada, pois faz parte do chamado saneamento ambiental (uma atualização do conhecido saneamento básico). Água, esgoto, resíduos sólidos (lixo) e drenagem urbana deveriam integrar uma política de saneamento, segundo aponta o pesquisador Carlos André Bulhões, da Universidade Federal do Rio Grande do Sul.

“A política brasileira de saneamento é desumana. Vem desde os anos 70, planos nacionais de saneamento sempre inconclusos. Jogam horizontes à frente e nunca avançam”, destaca o professor Bulhões.

Em dias como hoje, esse descuido estrutural fica evidente. Na zona norte, o arroio Sarandi, no bairro de mesmo nome, transbordou nesta manhã. O nível do Dilúvio, na avenida Ipiranga, também está subindo, além de diversas ruas e avenidas que já registram alagamentos.

Para Bulhões, na questão mais ampla do saneamento, um grande problema da cidade é a o descontrole do uso do solo urbano, como habitações irregulares e uso de áreas proibidas (como áreas de preservação, topo de morro), incluindo planícies de alagação. “São muitas casas, mas que oficialmente não existem”, pontua o pesquisar, que é doutor em Planejamento Ambiental.

Mesmo não “existindo”, elas produzem esgoto e lixo. Isso faz com que o possível início de uma solução para o problema esteja na área de habitação. O déficit habitacional de Porto Alegre é, atualmente, segundo estimativas do professor Bulhões, de cerca de R$ 4 bilhões, pois envolve a regularização de diversas áreas, como o bairro Bom Jesus e o Campo da Tuca.

O Dilúvio é um exemplo desse descontrole. “Mesmo que drague e limpe o dilúvio, é como enxugar gelo. Deveria haver um compromisso não de um político, de um governo, mas sim da cidade, entrando governo e saindo governo termos um plano que consiga ser executado”, defende o professor.

Segundo ele, o tema do saneamento já era um tema importante em 1914, no primeiro Plano Diretor de Porto Alegre. “E ainda é uma realidade inconclusa”, finaliza.

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