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De janeiro a março, PIB gaúcho caiu 3,3%. “O segundo trimestre tende a ser mais negativo que o primeiro”, alerta pesquisador do DEE

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Foto: Alessandro Davesac/Emater-ASCAR

O Produto Interno Bruto (PIB) do Rio Grande do Sul, referente ao primeiro trimestre de 2020, teve queda de 3,3% na comparação com o mesmo período do ano passado. Os dados foram divulgados na manhã desta quarta-feira, 10, pelo Departamento de Economia e Estatística do estado. A retração ocorre em função dos efeitos já sentidos da pandemia, em março, e também da estiagem que impacta o setor agropecuário, um dos principais puxadores do PIB gaúcho.

A agropecuária teve queda de 14,9% e é o principal índice que diferencia o Rio Grande do Sul do restante do país. A estiagem afetou, de maneira negativa, a produção de soja (-27,7%), milho (-19,3%) e fumo (-22,0%) no primeiro trimestre, culturas importantes da matriz econômica gaúcha. A queda do PIB nacional, de janeiro a março deste ano, foi de 0,3%.

“As nossas grandes diferenças com o Brasil ocorrem quando temos alguma questão climática que impacta na nossa agropecuária”, destacou a chefe da Divisão de Indicadores Estruturais do DEE, Vanessa Sulzbach.  

A expectativa é de queda ainda maior no PIB do segundo trimestre, quando a pandemia terá afetado todo o ciclo de três meses, de abril a junho. A projeção de retração econômica ainda maior no segundo trimestre leva em consideração, também, os efeitos da estiagem no momento da safra.

“Haverá uma queda bastante expressiva da agropecuária no segundo trimestre e uma queda expressiva também na indústria. O segundo trimestre tende a ser bastante negativo, bem mais que o primeiro, pela soja e pelos efeitos da pandemia sobre a indústria e comércio”, comentou Martinho Lazzari, pesquisador do DEE.

Na indústria, a maior queda foi verificada no item “eletricidade e gás, água, esgoto e limpeza urbana”, mas a geração de energia foi a real puxadora dos 18% de redução do setor no PIB apenas no primeiro trimestre. Já na indústria de transformação, as principais quedas foram verificadas no setor de máquinas e equipamentos (-12,8%), móveis (-16,8%) e produtos de mineirais não-metálicos (-14,7%). Na outra ponta, derivados do petróleo (8,1%), celulose e papel (7,4%) e produtos alimentícios (2,6%) apresentaram elevação.

No comércio, as principais quedas foram do setor de tecidos, vestuário e calçados (-23,5%), veículos (-14,8%) e combustíveis (-9,1%). As maiores altas se deram nos super e hipermercados (6,8%), outros artigos de uso pessoal e doméstico (7,5%) e artigos farmacêuticos (1,6%).

Com a projeção de recuo ainda maior no PIB do segundo trimestre, embora sem números ainda consolidados, o Estado trabalha para enfrentar a crise. Na semana que vem, o Piratini deverá lançar, junto com a Assembleia Legislativa, um questionário para todos os setores a fim de fazer um diagnóstico mais detalhado tanto daqueles que enfrentam baixas como dos setores e empresas que estão conseguindo contornar a crise.

“As notícias não são positivas, mas sabemos, também, que a única maneira de superar isso é enfrentar junto, articulando poder público, privado e terceiro setor”, frisou o secretário de Planejamento, Orçamento e Gestão, Claudio Gastal.   

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