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Por que o porto-alegrense fala tão mal de Porto Alegre. E os desafios da cidade no turismo

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Foto: Renato Soares/CCMQ/Ministério do Turismo

A live desta quinta-feira, 8, do projeto Porto Alegre além da Covid-19 debateu o turismo na cidade. Participaram Álvaro Machado, mestre em Turismo e professor, Henry Chmelnitsky, presidente do Sindicato de Hospedagem e Alimentação de Porto Alegre e Região (Sindha), e Diego Cáceres, administrador da rede Laghetto de hotéis. Os setores de turismo, hospedagem e eventos, de maneira mais ou menos interligada, estão amargando fortes prejuízos em função do coronavírus.

O presidente do Sindha projeta um cenário de incógnita para o futuro, pós-pandemia. Segundo ele, tanto o setor de alimentação quanto o de hospedagem terão que buscar uma nova relação com o cliente. “O cliente vai primar por questões de segurança em saúde. Vamos ter que mostrar isso para ele, vai ter que chegar ao cliente. Não pode ser só uma percepção”, entende Henry.

Esse atendimento e mudanças de protocolos fazem parte de uma cadeia que envolve o turismo como um todo. Para Álvaro Machado, o setor passa por uma crise jamais vista e acaba afetando toda a cadeia do turismo, “que é imensa”. Para além da pandemia, a live pautou as saídas e principais mazelas que tornam Porto Alegre uma cidade pouco atrativa turisticamente.

“Muitas vezes a nossa imagem de turismo está associada ao turismo de beira de praia, de sol, e isso Porto Alegre nunca vai ter. Porto Alegre tem as suas características”, ponderou Álvaro. Ele cita, por exemplo, o Cais Mauá, que não é aproveitado para o turismo, e defende uma integração da natureza, da cultura e da estrutura histórica. “A cidade precisa ter uma estrutura para captar eventos. Falta Porto Alegre ter um organismo que a entenda como turística e invista nessa promoção”, destaca.

A rede hoteleira sente o impacto de uma cidade e região mais ou menos turística. O Laghetto tem hotéis em Porto Alegre, Bento Gonçalves e Gramado. Principalmente em Gramado e Canela, o administrador Diego Cáceres vê um entendimento mais amplo na sociedade de que o turismo é importante, começando por ensinamentos na escola voltados a ver o turista como uma fonte de renda.

O professor Álvaro Machado, que coordena o curso de Turismo da FACCAT, em Taquara, aponta que uma característica do turismo é o estranhamento, o que não é cotidiano, que não faz todos os dias. Isso faz com que os porto-alegrenses olhem para determinados pontos da cidade e não os vejam como turísticos. A Casa de Cultura Mário Quintana, a Praça da Alfândega com seus museus, o Iberê Camargo, o Largo dos Açorianos… se os pontos entram na rotina e não são vistos como de turismo, passam a não estar nas indicações que se faz para pessoas que vêm de fora.

O empresário Henry Chmelnitsky entende que é preciso nomear quadros técnicos para as secretarias de turismo e não uma indicação meramente política. Ele também cita a falta de auto-estima de quem mora em Porto Alegre e que, em muitos casos, enxerga vantagens em outras cidades semelhantes, como Montevidéu, no Uruguai.

O tão falado Centro de Eventos de Porto Alegre, que teve suas primeiras negociações feitas ainda na Gestão Fortunati, agora está emperrado na dificuldade de se localizar onde está a verba de R$ 60 milhões do Governo Federal destinados à obra. A obra não iniciou ainda nos governos Dilma e Temer devido a questões que precisavam ser resolvidas no projeto, a cargo do município.

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