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Vendas de hidroxicloroquina e vitamina C disparam no RS

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Foto: Unilife/Divulgação

Um estudo da consultoria IQVIA, a pedido do Conselho Federal de Farmácia, constatou oscilações para cima e para baixo de medicamentos ligados à Covid-19, sejam eles cientificamente comprovados ou que estiveram em fake news ou estudos ainda embrionários nos últimos meses. Os dados comparam a quantidade de remédios vendidos entre janeiro e março de 2019 com o mesmo período de 2020. A hidroxicloroquina, por exemplo, teve alta de 62,7% nas vendas no Rio Grande do Sul. A este medicamento foi atribuída uma possível cura da Covid-19.

Mas o campeão de comercialização foi o ácido ascórbico, que cresceu 170,55% no período. A vitamina C (ou ácido ascórbico), que teve propagado o seu “efeito preventivo” contra o novo coronavírus em fake news, foi a campeã em comercialização. Também foi verificado um crescimento no consumo da vitamina D ou colecalciferol, de 37,8%.

Foram pesquisados, ainda, os medicamentos isentos de prescrição que podem ser indicados para amenizar os sintomas leves da Covid-19.  No caso do Ibuprofeno, as vendas caíram 9,42% nas farmácias gaúchas, fruto das especulações, por um breve período, sobre a sua ação permitindo o agravamento de casos da doença. Nas farmácias do RS, as vendas de paracetamol subiram 56,33% e de dipirona, 59,56%, os dois medicamentos usados para combater sintomas leves de qualquer gripe e que podem ser comprados sem receitas.

Os conselhos de Farmácia alertam que todos os medicamentos oferecem riscos. Mesmo os isentos de prescrição podem causar danos, especialmente se forem usados sem indicação ou orientação profissional. Dependendo da dose o paracetamol pode causar hepatite tóxica. A dipirona oferece risco de choque anafilático e o ibuprofeno é relacionado a tonturas e visão turva. Já o uso prolongado da vitamina C pode causar diarreias, cólicas, dor abdominal e dor de cabeça. E com a ingestão excessiva de vitamina D, o cálcio pode depositar-se nos rins e até causar lesões permanentes.  

Os riscos são mais graves em relação à hidroxicloroquina, medicamento indicado para tratar doenças como o lúpus eritematoso. Da mesma forma que a cloroquina (indicada para a malária, porém disponibilizada apenas na rede pública), a hidroxicloroquina pode causar problemas na visão, convulsões, insônia, diarreias, vômitos, alergias graves, arritmias (coração batendo com ritmo anormal) e até parada cardíaca.

A presidente do Conselho Regional de Farmácia do Rio Grande do Sul (CRF/RS), Silvana Furquim, destacou que, quando uma epidemia acontece, a farmácia é o estabelecimento que está na linha de frente e tem uma responsabilidade crucial na proteção à saúde da população. “Elas são frequentemente o primeiro ponto de contato com o sistema de saúde para quem tem preocupações relacionadas à saúde ou, simplesmente, necessita de informação e um aconselhamento confiável. Além disso, elas tornaram-se parte indispensáveis ao sistema público de saúde”, ressaltou a presidente. “Nós, os farmacêuticos, atuamos diretamente no trabalho diário combatendo a disseminação da doença e orientando a população quanto ao uso racional de medicamentos”, finalizou. 

Os números do RS

  Com informações de Julian Schumacher, do CRF-RS

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