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Projeto de universidades para salvar o Dilúvio busca uma nova chance

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Em junho de 2011 vi uma ideia revolucionária para o Arroio Dilúvio nascer durante uma missão oficial do Governo do Estado à Coreia do Sul. E nada tinha de oficial a iniciativa. Representantes do empresariado e de universidades integravam a comitiva do então governador Tarso Genro. Eu acompanhava a missão como enviado do Grupo RBS, onde trabalhava.

Foi em uma visita ao revitalizado Arroio Cheonggyecheon, que corta Seul, que os professores João Edgar Schmidt (UFRGS) e Luís Humberto Villwock (PUCRS) decidiram criar um projeto para salvar o curso d’água que acompanha a Avenida Ipiranga e liga os campi das duas universidades. Ideia na cabeça, mãos à obra.

Estudos reunidos, as universidades montaram um projeto de fôlego, capaz de devolver um Dilúvio limpo ao porto-alegrense e ao Guaíba. O projeto envolve não apenas a capital, mas também Viamão, onde está a nascente do Dilúvio. Um comitê gestor envolvendo as duas cidades e as duas universidades chegou a ser montado, mas esbarrou em um problema comum no setor publico: recursos.

O projeto é ousado e complexo. E caro. Em uma conversa recente, um dos mentores do projeto calcula algo na casa dos R$ 10 bilhões. Valor que a Prefeitura Municipal não dispõe.  Um integrante da atual gestão da capital afirma, no entanto, que seria possível buscar recursos da Fundação Rockfeller, o que não ocorreu. O fato é que o bom trabalho da UFRGS e PUCRS ficou no papel.

Reportagem que assinei em Zero Hora em 2011 / Foto: Reprodução

Uma nova chance

Diante da inoperância da gestão pública ao longo dos anos e do esquecimento natural que o tempo traz, o professor Luís Humberto Villwock reune hoje um grupo de integrantes no POA INQUIETA para trazer o assunto à pauta novamente. O momento não poderia ser mais oportuno. Com raros trechos de razoável qualidade, o curso do arroio tem sofrido com degradação, lixo, habitações irregulares e indignas e com ciclovias mal conservadas.

O encontro ocorre na noite de hoje, 20.01, no Tecnopuc. Uma oportunidade dos mais jovens se envolverem no processo de mudança e dos mais antigos assumirem sua responsabilidade. Não tenho dúvida de que a Ipiranga possui potencialmente para ser a avenida símbolo de Porto Alegre; símbolo de sustentabilidade. Hoje é apenas o símbolo do abandono.

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