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ARTIGO CONVIDADO: Por que os homens não falam sobre infertilidade?

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Será que os homens assumem a sua responsabilidade no momento em que um casal tem dificuldade em engravidar? Os homens admitem que o problema pode ser com ele e não com as suas esposas? É sobre isto que fala o artigo publicado hoje como convidado no Blog do André Machado. Quem escreve é o urologista Claudio Telöken, do Centro de Medicina Reprodutiva Fertilitat.

Por que os homens não falam sobre infertilidade?

Dr. Claudio Telöken, urologista do Fertilitat – Centro de Medicina Reprodutiva

Em muitos países, os homens discorrem e abordam a questão “infertilidade masculina” com muita naturalidade, como se referissem a qualquer outra alteração somática ou funcional tal como necessidade de usar óculos ou tratamento fisioterápico, cirúrgico, psiquiátrico, etc.

Entretanto, ela serve e bem se aplica ao povo latino, onde a fertilidade representa masculinidade e esta jamais pode ser contestada. O sul-americano ao ser indagado sobre prole, com frequência atribui a dificuldade na obtenção de gravidez a questões relacionadas à esposa. O desconforto para alguns homens é de tamanha magnitude levando-os, com certa frequência, a evitar grupos onde jovens casais exibem fotos dos filhos, ou comunicam que a esposa está grávida, etc. “A auto exclusão do convívio social é mais conveniente, menos angustiante. Delega à parceira a rotina dos festejos infantis pois está muito ocupado”.

Em comunidades agropastoris, desde a mais tenra infância, as analogias do homem infértil são conduzidas e parametrizadas com animais. “Filhão, este é o Brasil Alado Dez, nosso touro reprodutor, macho, forte, já venceu vários prêmios. Aquele ali, filho, é o 13, não é útil, será abatido para consumo da carne”.

O desenvolvimento infantil e o adolescer estribados em tais modelos determinam certa fragilização no que tange à masculinidade e fertilidade. Observam-se consequências deletérias destacando-se angustia, depressão, insegurança, temor, vulnerabilidade, menor produção intelectual, concentração, etc.

Alguns anos atrás, professores de biologia solicitaram que adolescentes voluntariamente colhessem ejaculado para análise microscópica dos espermatozoides. O experimento foi nefasto para aqueles azoospérmicos, os quais exibiram vários sintomas descritos acima.

Na verdade, o comportamento masculino diante de problemas de saúde é rotundamente diferente do que o da mulher. Enquanto a maioria das mulheres exibe com obstinação as questões de saúde, incluindo o resgate da fertilidade, o homem tende a negá-las. O sofrimento do homem é maior pela vinculação com a virilidade, mito que deve ser abolido.

Poucos homens na atualidade não terão oportunidade de ter sua prole. Entretanto, aqueles que não tiverem essa oportunidade, lisonjear-se-ão com a gravidez da esposa por meio de bancos de espermatozoides, qualificados e disponíveis em todo mundo. A gravidez de per si minimiza ou extingui o martírio e tormento masculinos. A evolução científica contempla com sucesso a grande maioria dos homens inférteis e deve ser enfrentada para a construção de uma família feliz.

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