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OPINIÃO: O exemplo de Caxias do Sul

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Por André Machado

Em dez meses, brasileiros dos 5.570 municípios do país estarão escolhendo prefeitos e vereadores. Diante da permanente falta de credibilidade da política, será grande a tentação de “mudar tudo que está aí” votando em candidatos prometendo rupturas com o sistema ou sem o respaldo de partidos políticos estruturados. Afinal, todo mundo quer ser o novo. Mas que novo?

A cidade de Caxias do Sul, segundo maior município do Rio Grande do Sul e maior economia do interior gaúcho, optou por um caminho assim em 2016. Com mais de 62% dos votos, elegeu em segundo turno a chapa Daniel Guerra e Ricardo Fabris, da coligação PRB-PEN-PR, derrotando Edson Néspolo que contava com o apoio de algumas das siglas mais tradicionais como PDT, MDB, DEM, PSB, PP, PTB e mais 15 partidos.

O resultado para a cidade foi um governo instável, um prefeito que comprava polêmicas desnecessárias (a primeira com o próprio vice, que renunciou) e que agora, depois de vários pedidos, é afastado do cargo pela falta de apoio no legislativo. “Ele dizia que dinheiro tinha e que o que faltava era gestão”, lembra o vereador Rafael Bueno (PDT), um dos principais opositores do agora ex-prefeito.

Guerra caiu porque não cumpriu o que prometeu, brigou com todos (inclusive com a Igreja) e nunca soube fazer política. É bom que fique claro que fazer política não é o toma-lá-dá-cá, mas propor, ouvir, refletir e decidir. Saber que não se governa para amigos, mas para a cidadania. Não tenha dúvidas que não serão poucos os salvadores da pátria que aparecerão por aí, assim como um deles foi vitorioso em Caxias do Sul, em 2016.

O ex-prefeito não é o único a viver no conflito no comando de uma cidade, mas foi o que colheu o fruto mais amargo de uma forma equivocada de fazer política. Na gestão pública é preciso enfrentar a baixa qualidade da educação, as filas nos postos de saúde, a falta de uma política de empregos, a burocracia. Que Caxias sirva de exemplo. Temos, em cada cidade, dez meses de reflexão.

Comunidade acompanha votação de impeachment nas galerias da Câmara de Caxias / Foto: divulgação

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