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ENTREVISTA DE SEXTA: INOVAÇÃO NO SETOR PÚBLICO

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“SE FICAR PENSANDO, O PODER PÚBLICO VAI PERDER A OPORTUNIDADE DE MELHORAR A VIDA DAS PESSOAS COM A INOVAÇÃO”

PAULO RENATO ARDENGHI, DIRETOR DE INOVAÇÃO DA PMPA

Há mais de uma década trabalhando no setor público, o advogado Paulo Renato Ardenghi enfrenta seu maior desafio. É diretor de Inovação da Prefeitura de Porto Alegre. Trazer a dinâmica das startups para dentro de um ambiente dominado pela burocracia é um desafio maior do que colocar na rua a Cozinhe.Me, empresa que comanda em paralelo e faz da disrupção na gastronomia o seu norte.

André Machado – Qual o desafio de trazer a cultura da inovação para dentro de algo tão tradicional quanto a Prefeitura de Porto Alegre?

Paulo Renato Ardenghi – São vários. Tem uma complexidade muito grande de quem não é advogado de que você não pode colocar ninguém em fria, tens que ter uma compreensão do que não se pode fazer e do que pode para poder subverter um sistema tão tradicional e tão burocrático. O fato de ser advogado me permite uma certa subversão e uma estratégia para trazer esta cultura da inovação sem maiores riscos. Estamos com uma turma de 43 servidores públicos em um curso de inovação onde a discussão principal é como faço isto sem ter um PL (projeto de lei) aprovado.

AM – Esta é a principal dúvida de quem participa do curso? Como inovar diante do emaranhado burocrático que a máquina pública oferece…

PRA – Isto e também alguns dilemas. Boa parte deles já pensou em se exonerar – a gente ouve isto constantemente – e está vendo na inovação uma possibilidade de resgatar o propósito do trabalho. Não estou sozinho. Tem muitos servidores querendo inovar e fazer diferente, mas tem que entender primeiro entender o processo e as regras do jogo para depois produzir um impacto através da inovação.

AM – Porto Alegre passa por um movimento forte com o Pacto Alegre e vários grupos articulados pela inovação. Qual o papel do setor público neste processo? Tu vens do movimento para dentro da estrutura pública….

PRA – Um dos grandes papéis da Prefeitura é orquestrar tudo isto. É contribuir para que as coisas aconteçam. Não atrapalhar, num primeiro momento. Existem vários desafios urbanos que podem ser solucionados com a união dos empresários, das universidades e da sociedade civil. A Prefeitura pode fazer o papel de abrir as portas para que novas soluções gerem um impacto diferente. Quando a gente fala de inovação a gente não trata apenas de negócios. Estamos falando da qualidade de vida das pessoas, de um ambiente propício para atrair negócios, ter segurança e educação de alto nível para formar talentos. O papel da Prefeitura é abrir as portas.

AM – Como esta atividade na Prefeitura impactou no teu negócio, na tua startup?

PRA – Quando a gente se dá conta que consegue empreender em lugares que não fomentam o empreendedorismo, nos damos conta que conseguimos empreender em qualquer lugar. Nos momentos que pensei em largar o setor público, pensei nos modelos de startup. Conhecer este meio, me fez entusiasmar-me muito mais por este novo modelo, onde tudo é ágil.

AM – Falta muito para a sociedade entender que o setor público também precisa deste ambiente mais ágil e menos burocrático?

PRA – Nesta primeira turma da Escola da Inovação tenho percebido que os funcionários estão incomodados com o processo, ficando cada vez menos corporativistas e olhando mais a sua função e quanto podem servir. É inevitável. Se você não resgatar este funcionalismo público e os servidores não se reinventarem eles serão substituídos por um robô que vai carimbar papéis e emitir certidões de uma forma muito mais rápida e precisa do que a humana.

AM – A inovação vem independente do campo ideológico que está no poder?

PRA – Costumo dizer que não é uma opção. Se ficar pensando muito, num curto espaço o poder público vai perder a grande oportunidade de utilizar o que ocorre na cidade para melhorar a vida das pessoas. Na saúde, por exemplo, não é mais uma opção fazer uma gestão de leitos no caderninho. Tens que utilizar a inteligência artificial porque uma pessoas pode precisar deste leito, você saber isto em tempo real e salvar uma vida. Não se tem mais como tomar decisão no setor público pela intuição. Elas devem ser tomadas por dados e plataforma.

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