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Individual ou coletivo?

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Quando eu era ainda um adolescente e estudava no Julinho, tomei um ônibus com meu colega Arié Melamed e fomos conhecer terminais de ônibus inaugurados no bairro Partenon pelo então prefeito Guilherme Vilella. Era o primeiro fim de semana dos terminais Antônio de Carvalho e Alameda. O ano era 1981 e a Prefeitura de Porto Alegre apresentava uma solução que diminuía o número de ônibus no Centro. As linhas do bairro iam até os terminais e de lá os novíssimos veículos articulados seguiam até o terminal central.

A ideia era inovadora. Como sempre fomos gaúchos e, assim, resistentes. A necessidade de descer de um carro e subir em outro enfrentou o mau humor de quem não entendia o sistema. Verdade seja dita, em 1981, o prefeito Vilella estava vendo adiante. Se a ideia tivesse vingado, seriam vários destes terminais em um perímetro, reduzindo o número de ônibus no Centro, melhorando o trânsito e o meio ambiente. Algo semelhante voltou a ser tentado na gestão José Fogaça. As vozes individualistas voltaram a falar mais alto.

Uso o individualismo pois tendemos a pensar no nosso conforto pessoal e não no coletivo. Lá no início dos anos 1980, as pessoas não queriam simplesmente trocar de ônibus para seguir o seu destino. Hoje vivemos a explosão de carros nas ruas (transporte individual) e um deserto de décadas em ideias de mudança no transporte coletivo.

Agora a Prefeitura Municipal está propondo faixas exclusivas para ônibus em diversas avenidas. O sistema já foi testado e enfrentou resistências na Zona Sul. Não há dúvida com o início em operação em vias como a Goethe e Mostardeiro a grita vai ser ainda maior. O objetivo é justamente fazer com que os ônibus circulem com mais agilidade. Quem sabe ao invés de chamar um Uber não começamos a dar uma segunda chance para o transporte coletivo?

O que precisamos é cobrar qualidade dos carros, pontualidade (o app ajudou) e informação sobre itinerários das linhas. Há um contrato oriundo de uma licitação que não está sendo integralmente cumprido. A alegação é a constatada queda no número de usuários. Há aqui um círculo vicioso. A qualidade vai caindo e os passageiros vão evadindo.

Seguiremos no assunto.

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