As polêmicas partições de recuperação em notebooks

Antigamente, quando alguém comprava um novo desktop ou notebook, o mesmo vinha com alguns CDs ou DVDs que continham uma cópia do sistema operacional original do equipamento, além dos drivers e alguns outros utilitários. Hoje, porém, os fabricantes utilizam uma nova e polêmica abordagem: as partições de recuperação.

Eu já escrevi sobre esse assunto em 2011 para o site Hardware.com.br, detalhando o processo em notebooks da marca Acer. Em resumo, o conteúdo dos CDs ou DVDs de instalação é copiado para uma partição oculta no disco rígido da máquina e, caso seja necessário reinstalar o sistema operacional (devido a algum malware, por exemplo), basta pressionar algumas teclas durante o processo de boot (no caso da Acer, Alt + F10) que o processo de recuperação é iniciado automaticamente. Assim, em poucos minutos, o sistema é restaurado ao seu estado inicial, inclusive com os drivers.

Claro que essa decisão possui fortes opiniões favoráveis e contrárias. Como argumentos favoráveis, podemos citar:

  • A partição de recuperação representa uma redução de custos  no processo de fabricação. Você pode até imaginar que um simples DVD custaria R$ 1 para a fábrica, mas basta considerar que, se a fábrica produzir 100 mil unidades em um mês, esse custo insignificante já se transformou em R$ 100 mil.
  • O processo de recuperação é mais rápido e confiável, afinal sabemos que os discos rígidos possuem maior velocidade de leitura do que as mídias ópticas, além de ser mais confiável, visto que DVDs podem riscar com facilidade.
  • A partição de recuperação reduz a pirataria de software.

No entanto, também existem argumentos contrários a esta tendência, tais como:

  • A suposta redução de custo na fabricação não é repassada ao consumidor. Ao contrário, ela transfere o custo total para o consumidor, visto que agora ele é o responsável por criar uma mídia física de recuperação, arcando com seus custos, caso esta seja a sua vontade.
  • Visto que a maioria dos usuários não criará uma mídia física de recuperação, no momento em que o disco rígido do equipamento estragar e não puder ser mais acessado, o usuário perderá a sua cópia original do sistema operacional.
  • Por causa do argumento acima, as partições de recuperação também podem aumentar a pirataria de software.
  • Alem de tudo isso, o espaço ocupado por essas partições, que pode passar de 10 GB, poderia ser utilizado, pelo usuário, para armazenar outras coisas.

Outro argumento fortíssimo contra essas partições diz respeito à liberdade de escolha do usuário. Isso porque, apesar de a sequência de teclas necessárias para acionar o ambiente de recuperação durante o boot está gravada na BIOS/UEFI, em geral esta depende de um esquema de particionamento específico para funcionar. É sabido, porém, que a maioria dos usuários avançados não gosta do esquema de particionamento padrão dos sistemas operacionais – que, em geral, colocam uma partição única para o sistema e para os arquivos pessoais, preferindo, por exemplo, criar uma partição adicional para guardar arquivos pessoais ou até para instalar outros sistemas. Infelizmente, na maioria desses casos, qualquer mudança no particionamento do disco rígido poderá fazer com que a combinação de teclas responsável por acionar o sistema de recuperação pare de funcionar, anulando, desta forma, a principal vantagem desse sistema.

Além disso, sabemos que, infelizmente, a maioria dos fabricantes entrega um sistema operacional de fábrica repleto de aplicativos seus ou de terceiros com utilidade, na melhor das hipóteses, questionável, podendo em alguns casos fazer com que um computador com uma boa configuração já fique lento desde sua primeira utilização. Por isso, vários usuários avançados rejeitam as imagens de fábrica e tratam logo de fazer uma instalação limpa do sistema operacional, o que segundo eles dá mais performance.

Seja como for, o fato é que, atualmente, um novo computador virá com suas partições de recuperação e cabe a nós gerenciá-las. E você, qual sua opinião sobre o assunto? Deixe sua resposta nos comentários.

  • André Machado

    Professor de Matemática formado pela UFRGS e entusiasta de tecnologia.

One thought on “As polêmicas partições de recuperação em notebooks

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