Logotipo do FISL. Fonte: https://media.tumblr.com/tumblr_m7ztd9Z0291qe3219.jpg

Quem paga pela pseudociência no FISL? (spoiler: você)

No ano passado, um ativista anônimo publicou um manifesto em alguns sites voltados ao tema software livre reclamando do fato de o evento, ultimamente, ter dado espaço a palestra sobre temas pseudocientíficos, como energia livre ou supostas descobertas mirabolantes de Nikola Tesla suprimidas pelo Governo dos EUA. Surpreendentemente, de lá pra cá, a ASL, organização responsável pelo evento, não se manifestou e tocou o evento como se nada tivesse acontecido.

 A princípio, alguém poderia minimizar esse problema ao lembrar que o FISL é um evento semi-fechado, pago, mantido por uma associação privada e que acontece no salão de eventos de uma universidade particular, ou seja, assiste quem quer. No entanto, basta olharmos para a lista de patrocinadores do evento para vermos que a história não é bem assim.

Eu não quero acreditar, eu quero saber. Fonte: https://i.imgur.com/FW9ob4X.jpg

Observando a lista de patrocinadores no rodapé da página da edição anterior, vemos que, dentre eles, figuram o nome de várias empresas e órgãos públicos, como por exemplo:

  • Prefeitura de Porto Alegre;
  • Telebras;
  • CPD da UFRGS;
  • Procempa;
  • Procergs;
  • Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação;
  • Ministério da Cultura;
  • Ministério das Comunicações;
  • Banco do Brasil;
  • Caixa;
  • Datasus;
  • Governo Federal;
  • Governo do RS…

Ou seja, mesmo que você nunca tenha ido ao FISL – e mesmo que você sequer use software livre – você está pagando pelas palestras que ocorrem no evento e, se são colocadas lá palestras sobre temas pseudocientíficos, nós também as estamos financiando, por meio das empresas públicas que patrocinam o FISL.

Logo, colocar temas pseudocientíficos ou com fraca sustentação acadêmica no FISL não apenas é um desrespeito à Ciência e ao público de lá como, também, a toda a população brasileira, pois a ASL, que deveria ter mais rigor na seleção de atrações no evento, se utiliza de dinheiro público pra tornar o FISL realidade.

  • André Machado

    Professor de Matemática formado pela UFRGS e entusiasta de tecnologia.

One thought on “Quem paga pela pseudociência no FISL? (spoiler: você)

  1. O patrocínio de evento como FISL, é uma forma do Governo contribuir com a comunidade uma vez que faz uso de várias ferramentas em software livre. O Governo gasta apenas 6% de todo gasto de ti em software livre.
    Todos usamos software livre. A internet, em si, não funciona sem software livre.
    Agora, o governo (federal, estadual, municipal) patrocina diversos eventos privados como rodeios, festas diversas, carnaval, shows artísticos, obras bibliográficas, feiras, eventos religiosos, etc. Reclame aqui de todos eles também.
    Reclame aqui, também, sobre os bilhões gastos em softwares proprietários, cheios de bugs, que não atendem aos requisitos de governo mas que foram comprados por força de lobby. Reclame aqui, também, que elas participam de eventos patrocinados pelo governo.

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