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Mitos sobre a TV digital e a alta definição



Completando-se quase dez anos do início das operações do sistema de TV digital no Brasil, com algumas regiões já tendo realizado o desligamento do sinal analógico e outras em vias de fazê-lo, resolvi escrever esse texto para esclarecer alguns mitos de quem está migrando para o sistema ainda pode encontrar por aí. De fato, vergonhosamente, muitas das grandes promessas acerca da nova tecnologia e da aclamada HDTV, feitas lá em 2007, ficaram só no papel, enquanto outras foram postas em prática e abandonadas em seguida.


Mito 1: TV digital e HDTV são a mesma coisa.
Falso. Quando falamos de TV digital, estamos nos referindo a uma forma de transmissão do sinal por via terrestre. Já quando falamos de HDTV estamos nos referindo ao formato e à resolução da imagem, que deixa de ter a proporção 4:3 e a resolução de 480p da TV analógica – chamada de SD – e passa a ser transmitido em 16:9 com uma resolução de 1920 colunas e 1080 linhas, ou 1080i, a tal da alta definição.
Apesar de as duas tecnologias terem sido propagandeadas juntas, ambas são independentes. Fato é que, hoje, existem várias emissoras que transmitem de forma digital mas veiculam programas em qualidade SD. Portanto, uma emissora transmitir em sinal digital não significa transmitir em alta definição.

Mito 2: A TV digital tem uma imagem melhor do que a analógica
Isso é, indubitavelmente, verdade. Uma das maiores vantagens da TV digital é dar aos telespectadores a possibilidade de assistir ao seu canal preferido sem chiados, chuviscos, fantasmas ou interferências. Mas, como sempre, nem tudo são flores.
O que ninguém contou aos usuários é que, com o sistema digital, é 8 ou 80: isto é, ou se tem uma imagem perfeita ou não se tem imagem alguma. Ocorre que o sistema é muito sensível e, muitas vezes, os transmissores são mal configurados pelos técnicos contratados pelas emissoras.
Na prática, em situações como vento, chuva, tempestades ou demais condições adversas, o espectador poderá sintonizar seu canal favorito e dar de cara com uma tela preta e a mensagem de “Sem sinal”. Pior ainda, dependendo de como foi configurado o transmissor e do local em que esteja o espectador, pode ocorrer de o sinal aparecer normalmente em um televisor de determinado fabricante e ficar sem sinal no de outro. Por isso, a escolha de uma TV digital exige, antes de tudo, muita pesquisa.

Mito 3: O HDTV é a resolução do futuro
Falso. Várias revistas dos anos 90 falavam da revolução da HDTV e que os aparelhos que usávamos precisariam ser trocados. De fato, quando ela chegou no Brasil, em 2007, parecia algo futurista, mas hoje, está mais para peça de museu.
Basta notar que, enquanto a TV digital ainda transmite em 1080i, vários produtores de conteúdo em sites como YouTube e similares já publicam seus vídeos em resolução 4K ou superior.
Enquanto que, em serviços de streaming on-line resoluções como essa já estão se tornando padrão, em se tratando de televisão ainda estamos engatinhando. Atualmente, apenas algumas empresas de TV a cabo oferecem, eventualmente, programação em 4K para aqueles clientes que possuem um decodificador especial. Não há nada de oficial em relação a resoluções maiores do que 1080i no sinal terrestre e, quando houver, certamente haverá outra resolução maior na internet.

Mito 4: Com o HDTV, eu poderei ver até os poros dos apresentadores
Falso. Quando a tecnologia HDTV surgiu, muito se falou que a qualidade da imagem aumentaria de tal forma que se poderia ver detalhes antes invisíveis na TV padrão, como: a costura de um terno, as rugas e as marcas de expressão das pessoas, os espectadores na arquibancada, de longe, numa partida de futebol, e até os poros das pessoas!
Claro que isso impressionou muita gente e, no começo, realmente podíamos nos deslumbrar com estes detalhes, mas, hoje, eles são cada vez mais raros de se ver. Isso se dá por duas razões: o formato 1080i e a qualidade dos equipamentos e da edição do vídeo.
Para ser considerado “Full HD”, a imagem precisa ter uma resolução de 1920x1080. Mas apenas ter essa resolução não significa que essa imagem terá uma boa qualidade. Ocorre que, na TV, a resolução é 1080i. O i, em questão, significa interpolado, o que podemos entender como: primeiro são desenhadas as linhas pares e, depois, as linhas ímpares. Em filmes em Blu-ray, a resolução é 1080p, de progressivo, isto é, as linhas são desenhadas uma após a outra. Isso se traduz em maior qualidade.
Quando os primeiros experimentos com HDTV foram feitos no Brasil, muitos velhos atores, atrizes e apresentadores ficaram preocupados com o fato de suas marcas de idade aparecerem tão visíveis na telinha. Por isso, de lá pra cá, além de maquiagem, a pós-produção das atrações costuma colocar vários filtros para diminuir esses sinais. Além disso, temos de ver que a qualidade dos equipamentos utilizados para a captura de vídeo também influi. Fazendo uma analogia, um vídeo HD capturado com um celular não terá a mesma qualidade do que um capturado com uma câmera profissional.
Desta forma, graças à tecnologia 1080i e aos vários filtros e equipamentos utilizados no processo de gravação, a história de que o espectador poderá ver até os poros dos atores é só mito. Na prática, hoje temos apenas uma imagem levemente mais nítida do que temos na TV analógica e, a menos que você tenha uma TV de 50 polegadas e fique a 10cm da tela (o que eu não recomendo que você faça), é provável que você não perceberá qualquer detalhe excepcional na imagem.

Mito 5: Com a TV digital, eu terei interatividade
Uma das grandes novidades apresentadas com a chegada da TV digital foi a possibilidade de termos uma televisão interativa. Poderíamos transcender a transmissão e utilizar aplicativos direto do controle remoto para fazer coisas incríveis: consultar informações adicionais sobre o programa, a previsão do tempo a qualquer hora, comprar o vestido usado por aquela atriz da novela ou, em canais públicos, consultar o saldo de benefícios sociais.
Dez anos depois, tudo isso ficou no papel. Ocorre que o Governo obrigou que, a partir de determinado ano, os televisores viessem com uma tecnologia nacional chamada Ginga, que é um software livre que forneceria uma linguagem comum para o desenvolvimento de todos os aplicativos de interatividade. No entanto, nem os fabricantes e nem os espectadores se agradaram da novidade: aqueles descobriram que o Ginga era limitado e pesado e estes não gostavam da ideia de ter um i enorme na tela indicando a disponibilidade do serviço.
O resultado é que, hoje, o Ginga está praticamente às traças. A maioria dos fabricantes resolveu substituí-lo por sistemas melhores, como Android ou WebOS. Além disso, para quem ainda insiste em usá-lo, basta ler os relatos de entusiastas em sites como o HT Fórum: o sistema é lento e muitas emissoras o estão deixando de lado, com a interatividade de certos programas entrando na hora errada ou, até mesmo, a de programas que não estão mais no ar, ainda estando disponível.

Mito 6: Com a TV digital, teremos multiprogramação
Falso. Embora a TV digital permita que vários programas diferentes sejam transmitidos no mesmo canal, isso quase não existe no Brasil.
Para exemplificar o que seria a multiprogramação: no canal principal, estaria passando a programação normal da emissora; no secundário poderia estar passando uma novela e, em outro, um filme ou notícias. Ou, ainda: poderíamos ver um final diferente do capítulo ou da atração em cada sub canal disponível.
Isso funciona, mas o Governo logo percebeu que permitir tal tecnologia traria uma enorme desvantagem comercial para com aqueles que não a tivessem, pois haveria a possibilidade de uma emissora vender espaços comerciais para empresas diferentes em cada sub canal. Assim, a prática foi proibida para emissoras comerciais e só está disponível nos canais do Governo, que ninguém assiste. O mais perto que temos disso são trilhas de áudio diferentes, que aparecem em determinados filmes.

Conclusão
Embora a TV digital e o HDTV representem, certamente, grandes avanços em relação à TV analógica, na prática a maioria das promessas feitas quando do início do sistema ficaram no papel devido a vários fatores. Hoje, na prática, a única vantagem que temos é uma imagem mais nítida, mais ampla e sem interferências, o que já é uma boa coisa, mas está longe de ser aquilo que poderia ter sido.

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