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Estaria o open source ameaçado pela alt-right brasileira?

Adotando o leão do Proerd como mascote e o slogan "É melhor Jair se acostumando" em discussões, o movimento brasileiro de direita alternativa, ou alt-right brasil, cresce cada vez mais na internet brasileira, atraindo um número cada vez maior de jovens. Nesta curva, que elegeu Donald Trump para a presidência dos EUA e planeja colocar a faixa presidencial em Bolsonaro no ano que vem, o open source poderá ser vítima de um fogo amigo.



É difícil explicar o que é o movimento alt-right de forma concisa. Por isso, deixo aqui o post do blog Acid Black Nerd, que além de explicar as origens e as intenções do movimento, relata ter sido vítima do discurso de ódio de apoiadores do movimento nos EUA em uma discussão devido ao seu username: ao ler a palavra black, ele foi identificado como uma pessoa negra.


O fato, porém, é que podemos traçar diferenças entre o alt-right americano e o alt-right brasileiro. Enquanto aquele visa a combater, essencialmente, os neocons, que são conservadores surgidos após os atentados de 11 de Setembro e que desejam ampliar a influência e o poderio dos EUA para o mundo todo, por aqui o movimento de direita alternativa parece combater ferozmente tudo relacionado à esquerda - e é aqui que a coisa fica feia para o open source! Continue lendo para entender...


Eu faço parte de uma geração que nasceu no final da ditadura militar e que assistiu passivamente todos os escândalos de corrupção no governo durante as décadas de 1990 e de 2000 (não houve muitos protestos grandes nesse período). Já a geração atual parece ter se fartado de tanta roubalheira e resolveu agir. Mas o problema é: a quem culpar? O primeiro indicado seria o PT, que comandou o mensalão, o petrolão e é o principal alvo da operação Lava-Jato. No entanto, também não podemos isentar a direita, pois a cada dia novas delações revelam que todos os políticos estão envolvidos, de uma forma ou de outra, em algum escândalo de corrupção.


Por outro lado, também não é possível traçar uma linha clara que separe a direita e a esquerda em nosso país. Basta observar que, não raras vezes, parlamentares eleitos por partidos de direita acabam aprovando projetos de lei propostos pela esquerda e vice-versa. Ou seja: aqui, não há esquerda e direita, mas sim uma luta pelos próprios interesses.


Com isso, podemos ver que a alt-right brasileira prega uma cruzada contra não apenas os partidos de esquerda como, também, por tudo aquilo que ela representa. Podemos destacar, aí, movimentos sociais como: o feminismo, o lgbt e os direitos humanos. Alguns conservadores no gab.ai, pelo que observei, também perseguem os evangélicos e os protestantes, defendendo que a fé católica é a única correta.


E aí vem o nosso problema: há algum tempo, um famoso ativista gritou para quem quisesse ler e ouvir que software livre é de esquerda. Isso já seria suficiente para colocar todo o ecossistema Linux no mesmo saco dos movimentos sociais que a direita alternativa tenta combater. É claro que, hoje, é praticamente um consenso de que o open source seria de direita, mas será que, com o impulso característico da rede mundial de computadores, alguém pararia para estudar as diferenças entre os dois? Duvido muito.


Logo, é de se imaginar que a direita alternativa defenda a utilização apenas do sistema Windows. Basta verificar que Tim Cook, presidente da Apple, é homossexual e a empresa já apoiou abertamente a causa LGBT em várias ocasiões. Portanto, a Apple pode ser considerada, por eles, uma empresa de esquerda e, logo, usar Mac seria algo inadmissível. Apesar de Bill Gates ser ateu, o Windows é a melhor opção, pois vai ao encontro da ideologia conservadora, pelo mesmo ter sido o sistema "padrão" por várias décadas.


Assim, o software livre já tem seu destino certo nas mãos dos adeptos da alt-right e, provavelmente, o open source vai ter de experimentar o mesmo gosto amargo. Ainda não conhecemos grupos de crackers adeptos deste movimento, mas é provável que, em breve, surjam notícias de ataques a sites sobre Linux vindo de adeptos desse movimento. Mais ainda, se Bolsonaro for eleito em 2018, é provável que caiam ou que acabem os investimentos governamentais em implantação e em eventos relacionados a software livre e a open source.


Apesar de eu achar alguns pontos da alt-right positivos - principalmente no que tange a denunciar a hipocrisia de alguns movimentos sociais (por exemplo: mulheres de direita não são aceitas em movimentos feministas), acredito que, em geral, eles são exagerados e pregam uma sociedade ditatorial, em que todos deverão viver em um estado de vigilância constante e poderão ser presos a qualquer momento apenas por tropeçar numa pedra.


Mesmo assim, devemos ter em mente que o movimento alt-right americano é, em essência, racista, homofóbico e discrimina totalmente quem não se encaixa em seu padrão preestabelecido. O próprio movimento alt-right brasileiro seria uma piada para os americanos, visto que somos classificados como latinos. Assim, não podemos permitir que ideias como essa atrapalhem nossa vida e o desenvolvimento tecnológico.

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