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Será que existe vida após a morte?

Ontem, assisti ao filme A Descoberta, por indicação de um usuário do Twitter, e fiquei pensando sobre esse tema tão inquietante para a humanidade. Para quem não sabe, trata-se de um filme da Netflix que conta a história do filho de um cientista que conseguiu provar cientificamente (na trama) que existe vida após a morte. Dentre outros efeitos colaterais, essa descoberta causa uma onda massiva de suicídios e o cientista, agora, quer descobrir o que existe lá, exatamente.



Na vida real, a Ciência ainda não conseguiu provar que existe vida após a morte. Mesmo assim, existem várias teorias e opiniões contrárias e favoráveis à existência deste fenômeno. Longe desse post querer dar uma opinião definitiva sobre o assunto, há mais indícios de que a resposta à pergunta seja negativa do que positiva.


Quando perguntamos se há vida após a morte, na verdade estamos perguntando se a nossa consciência pode sobreviver sem o nosso corpo. Uma outra forma de formular essa pergunta é: a nossa consciência é gerada pelo nosso cérebro ou é algo completamente independente deste?


Se a consciência for gerada pelo cérebro, é provável que a resposta à questão desse post seja negativa. pois entenderíamos que, uma vez que o cérebro pare de funcionar, a consciência deixe de existir. Por outro lado, se a consciência for independente do cérebro, isso abriria espaço para que nós não apenas pudéssemos continuar existindo após a morte de nosso corpo, como também poderia embasar algumas teorias sobre reencarnação. Neste caso, o corpo seria apenas um recipiente para a consciência.


Mas existem algumas evidências, principalmente vindas da neurociência, de que nossa consciência não é independente do cérebro. Uma das principais evidências apontadas é a de que danos cerebrais podem mudar o comportamento de um indivíduo. Dois grandes exemplos são o caso de Phineas Gage, que teve uma barra de metal atravessada em seu crânio e se tornou agitado, arrogante e rude, e o de Chris Birch que, após sofrer um AVC, se tornou homossexual (ahã). Isso provaria que a consciência pode ser alterada com danos ao cérebro e, assim, os cientistas permitem-se fazer uma extrapolação: se um dano no cérebro pode mudar o caráter de uma pessoa, então a destruição do cérebro...


Mas aqueles que defendem a existência de uma vida após a morte acreditam que a consciência sobreviva através de algum fenômeno quântico, ainda não descoberto pela Ciência. Em relação a isso, cabe ressaltar que a Física Quântica estuda os eventos que ocorrem nas camadas atômicas e subatômicas, nada tendo a ver com fenômenos sobrenaturais. Desde a descoberta desse campo, porém, já havia uma preocupação com esse rumo. Percy Bridgman, ganhador do prêmio Nobel, afirmou em 1929:




Esse "além imaginário, que o cientista já provou ser impenetrável para ele, se tornará o playground de cada místico e sonhador. A existência de tal domínio será a base de uma orgia de racionalizações. Será a substância da alma: os espíritos dos mortos nele habitarão. Deus estará à espreita em suas sombras; o princípio dos processos vitais terá ali sua morada; e será o meio para a comunicação telepática... (CREASE, Robert P. As Grandes Equações. Zahar, 2011. p. 231)



No entanto, assumir que a consciência exista sem o cérebro traz algumas complicações de ordem teórica. Por exemplo: se nossa consciência é informação, para onde essa informação vai depois da morte do cérebro? Se ela é energia, por que até agora nenhum cientista foi capaz de detectá-la? (Existem experimentos de transcomunicação instrumental, mas nenhum deles obedece rigorosamente ao Método Científico ou passou por uma revisão por pares).


Na verdade, a ideia de que a vida continua após a morte e que as pessoas boas vão para um lugar melhor é parte do nosso "humanocentrismo". Uma crença similar ao céu e ao inferno já havia sido difundida pelo zoroastrismo, séculos antes do nascimento de Cristo. Basta ver que a maioria das teorias sobre vida após a morte apenas mencionam humanos.


Se considerarmos, porém, que os animais também possuem uma consciência similar à nossa, é razoável supor que esta também continue a existir após sua morte. A maioria das pessoas não terá problemas em imaginar-se no paraíso com seus parentes, gatos e cachorros falecidos, mas se esquecem que bilhões (ou trilhões) de moscas, de mosquitos, de baratas, de ratos, de escorpiões e de outros animais indesejados, por essa lógica, também deverão estar lá - sem contar os dinossauros! E aí: será que haverá alguma segregação e todos ficarão separados em seu canto?


Portanto, a única conclusão que podemos chegar, agora, sobre esse assunto, é que ainda não podemos chegar a conclusão alguma sobre ele. Talvez, um dia, saibamos.

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