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Por que você não deve desabilitar o Windows Update

Há alguns anos, mais precisamente em 2014, eu gravei um vídeo em que explicava o significado do temido fim do suporte ao Windows XP. O assunto, na época, foi polêmico e várias pessoas acreditavam que o sistema pararia de funcionar após a data definida pela Microsoft.


O vídeo, ainda hoje, recebe comentários e um deles, feito pelo Almeida 1996, me chamou a atenção:




desative o windows update só serve pra travar o pc



Pelo nick, podemos ver que o autor é uma pessoa jovem que, como a maior parte dos representantes de sua geração, sempre procura a solução mais fácil para os seus problemas, sem se importar com as consequências futuras dessa atitude.


Como geralmente quem dá esse tipo de conselho são alguns "técnicos" que "aprenderam" sua profissão assistindo videotutoriais ou em cursinhos de qualidade questionável, inferi que o autor poderia ser um deles, ao que ele me respondeu:




não sou técnico e nem trabalho com informática sou um usuário comum e para mim o windows update não me serve de nada ja tive problemas com att que travaram meu pc por isso não uso mais e não é só eu o amigo ai do comentário também teve problemas

E, depois, complementou:




eu sei onde eu mexo estou sempre cuidando seguidamente faço varreduras no sistema em busca de arquivos infectados e eu nunca usei o update nunca tive problemas sei o que faço e se der problema eu formato simples assim

É claro que eu não poderia utilizar aquele espaço para confrontá-lo e o desejei boa sorte. No entanto, qualquer profissional de TI ou especialista em segurança sabe que ambos os argumentos estão, na melhor das hipóteses, equivocados.


Primeiro, ele diz que ele próprio já teve problemas com atualizações e, por isso, não usa mais. Esse argumento é uma falácia lógica. O interlocutor tenta trazer uma experiência pessoal como regra, o que nem sempre é verdade. Se ele já teve problemas de travamentos com o Windows Update, isso não significa que os travamentos foram causados, necessariamente, pelas atualizações: podemos trabalhar com a possibilidade de algum defeito no hardware ou com algum outro software problemático. Se eu fosse seguir essa linha, eu poderia dizer que sempre atualizei meu computador e jamais tive problemas...


O pior argumento, no entanto, é o segundo. Nele, o autor diz que sabe onde mexe. Isso, para qualquer profissional sério de segurança, é uma grande piada. Hoje, até quem sabe onde navega corre riscos.


Atualmente, vários sites exibem anúncios de terceiros, como o AdSense, que já foram comprometidos várias vezes com códigos maliciosos. Além disso, existe uma grande variedade de exploits que podem comprometer um sistema remotamente, sem a necessidade de se clicar em algo ou de baixar alguma coisa. O famoso worm MSBlast, do distante ano de 2001 2003, foi um que, já naquela época, conseguiu infectar milhões de computadores remotamente (o meu, inclusive), sem que o usuário precisasse baixar nenhum arquivo malicioso.


As atualizações disponibilizadas pelo Windows Update servem para, justamente, corrigir essas falas de segurança que permitem que um sistema seja comprometido, muitas vezes sem o conhecimento de seu usuário.


Portanto, deixar o computador com as atualizações desligadas é o mesmo que transformá-lo em uma porta de entrada para todo o tipo de software malicioso, que nem sempre prejudicará apenas o seu proprietário, pois hoje ainda existem as botnets, que atuam em conjunto para executar atividades ilegais.


A "solução" proposta pelo autor - formatar o sistema no evento de uma infecção - também é risível, típica de uma geração que teve um ensino escolar podre, desconectado da realidade, e que, como já disse, sempre busca a solução mais simples do problema. Formatar um computador infectado por malwares é assinar seu atestado de incompetência. Além disso, essa solução nem sempre é a mais viável - pense em uma empresa, por exemplo.


Mas é claro que eu não poderia encerrar este artigo sem mencionar a principal causa de por que os usuários desligam o Windows Update: é que muitos deles usam uma versão pirata do sistema e, assim, temem que o crack que estejam utilizando seja removido em alguma atualização. Para estes, realmente não faz diferença a segurança, pois o próprio ativador que é instalado já é, por si, um malware. Trata-se de um programa de procedência desconhecida que possui acesso completo ao sistema operacional e, assim, pode fazer o que quiser. Os usuários desses recursos pensam estar fazendo uma grande coisa, enquanto na verdade podem estar colocando suas máquinas nas mãos de criminosos do outro lado do mundo.


Tudo isso se deve ao ego do usuário. A maioria dos computadores nas lojas vem com Windows Home, que é mais do que suficiente para um usuário doméstico - e eu, inclusive p utilizo. Mas a maioria dos usuários não se contenta com isso e quer logo partir para a versão Pro ou Ultimate, sendo que, uma vez instalada, eles não utilizam sequer 10% dos recursos próprios dessas versões. Ou seja, eles querem a versão mais completa apenas para dizer que a tem.


É uma pena, mas nada mais esperado em um país que cultua a ignorância.

Comentários

  1. A experiência tem mais valor do que diplomas e estudos teóricos. Não é que ter um aprendizado formal seja ruim. Pelo contrário: é muito bom. Mas é o dia a dia, a vivência que mostra a realidade.
    Conheço profissionais muito competentes em TI que desaprovam as atualizações automáticas. Na maior parte das vezes, essas correções são pra furos(bugs) banais que não prejudicam o usuário na usabilidade e nem na segurança.
    O último perigo, como citado, foi o Blaster em 2001. Ainda que possa surgir um bug semelhante ou pior, devemos contar com a regra e não com a exceção. Qual a probabilidade disso acontecer novamente?
    E também, devemos investigar a causa de um problema num computador e não apenas aceitar que "de uma hora pra outra" ele está travando ou com outra anormalidade. Será que foi feita alguma atualização? Será que o usuário instalou o que não deveria?
    Qualquer alteração pode causar instabilidade e comportamentos imprevisíveis. Muita gente sabe: se está tudo bem, não mexa. E atualizar é mexer.
    O que não faltam são casos de atualização que causa tela azul no Windows, por exemplo. Porque esses usuários, geralmente sem experiência, não percebem que o conserto de um bug envolve substituição de arquivos, outras intervenções no kernel do sistema operacional ou em outras áreas importantes. Esse remendo pode até causar outro bug, mas normalmente isso não é explicitado antes do usuário instalar.
    É como ingerir uma droga pra dor de cabeça. Ela pode ser exterminada, mas a substância também vai atuar em outros órgãos do corpo. Não tem como atuar apenas onde precisa e por isso pode haver efeitos colaterais a curto ou longo prazo.

    De forma ideal, uma atualização deve ser medida nos prós e contras.
    Pra mim, compensa se eu tiver certeza de que algo está me prejudicando.

    Quanto à segurança, quase sempre ela não existe porque o usuário não distingue extensões de arquivo, não percebe que alguns sites populares oferecem um programa dentro de um instalador com propagandas, não se dão conta que a internet desde meados de 2005 se tornou um inferno com propagandas por todo lado e que é impossível navegar sem bloqueadores de anúncio, entre outros comportamentos.
    O problema não é o "novo golpe pelo Whatsapp", mas sim o desinteresse das pessoas em aprender o que usam.
    Boa parte das técnicas dos golpistas são as mesmas de 25 anos atrás.

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