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Formatar o HD é a melhor solução para os vírus?

Quem usa Windows precisa tomar cuidado com seus hábitos de navegação de internet pois, ao contrário de outros sistemas, como Linux e macOS, ele é mais susceptível a infecções por vírus, malwares e programas indesejados. Quando isso acontece, porém, o destino do computador é quase sempre o mesmo: formatar o HD e reinstalar o sistema operacional. Mas será que esta é, realmente, a melhor opção?



Format C:. Fonte: https://c1.staticflickr.com/1/157/375772077_9e226ecdf6_z.jpg?zz=1


Esta é uma polêmica que se arrasta há anos pelos fóruns e listas de discussão na internet e parece estar longe do fim. Por um lado, os famosos "técnicos" em informática insistem em dizer que formatar o HD é a solução mais rápida e eficiente para se livrar de qualquer infecção. Por outro, profissionais de TI com formação mais elevada em geral acreditam que a formatação é apenas o último recurso e alegam existir ferramentas específicas para tratar essas ameaças.


De fato, devo concordar que, muitas vezes, a formatação é realizada de maneira precipitada e incorreta. Há casos em que o técnico diagnostica incorretamente a causa de um problema como sendo vírus, formata o computador mas o mesmo continua, talvez porque o mesmo não fosse causado por um malware, mas por algum defeito de hardware.


Em outros casos, vemos que grande parte dos técnicos possui aversão ao novo sistema de inicialização UEFI e às polêmicas partições de recuperação. Como resultado, muitas vezes um computador novo acaba saindo de uma formatação no modo legacy, perdendo os benefícios do UEFI, e com um sistema operacional ilegal.


Além disso, é desnecessário dizer que a formatação, nesse caso, não explicita a causa do problema. Isto é, o técnico apenas se livrou dele, mas não sabe o que o causou e poderá precisar formatar o PC de novo, caso o mesmo se repita.



No entanto, o ponto de vista dos profissionais de TI também possui seus pontos negativos. É claro que existem ferramentas técnicas que permitem recuperar um sistema comprometido, mas sua utilização, muitas vezes, requer um conhecimento avançado, que muitos técnicos não possuem ou não têm tempo de adquirir. Como resultado, sua utilização poderia causar mais danos do que a infecção em si.


Mark Russinovich é o autor da suíte de programas SysInternals, que oferece programas avançados para o ambiente Windows e, atualmente, é o CTO da divisão Azure. Ele tem um blog em que descreve o uso de suas ferramentas para solucionar todo tipo de problema. Neste post, ele explica como conseguiu descobrir e mitigar um malware que estava causando reboots aleatórios no notebook de um amigo e, neste outro, ele mostra como conseguiu consertar um erro no sistema recém-comprado de sua mãe. Se você parar para ler estes e outros posts, concluirá que foram trabalhos "de gênio" e que você, provavelmente, teria resolvido tudo formatando logo o HD.


No entanto, outra coisa que notamos é que Mark possui um conhecimento avançado e isso o permitiu resolver os problemas citados sem tomar a medida extrema. Será que algum outro técnico do Brasil poderia tomar o mesmo caminho?


Além disso, estas próprias ferramentas de remoção indicadas em fóruns são polêmicas. Neste post do fórum hardware.com.br, uma usuária aparentemente leiga pede ajuda dizendo que seu antivírus detectou uma ameaça. O que se segue é algo surreal: um técnico pede para a moça rodar uma ferramenta de escaneamento, outro usuário, em seguida, pede para ela rodar outras ferramentas, diferentes das primeiras, depois, os dois técnicos e mais outro usuário ficam discutindo se a utilização das ferramentas indicadas foi adequada ou não e, com isso, a usuária, que era a principal interessada na resolução de seus problemas, é deixada de lado. Com isso, o tópico, iniciado no dia 7, ainda não foi resolvido! E uma rápida pesquisa neste fórum revelará outros tópicos similares.


Portanto, dado o nível de "educação" que temos em nosso país, sou forçado a concluir que, mesmo com a formatação não sendo o procedimento mais indicado na maioria dos casos de infecção, é o mais prático para um técnico e o mais rápido para o cliente.

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