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Onde está a principal vantagem do software livre?

Uma das principais vantagens do software livre é, justamente, sua natureza aberta. Essa natureza dá ao usuário o poder de personalizar o programa de acordo com suas necessidades, independente da vontade ou da autorização do fabricante.



Eu, pessoalmente, estou envolvido em um projeto acadêmico que envolve justamente esse poder de personalização. Mas na prática, vemos que essa principal vantagem não é aproveitada pela maioria dos usuários, nem mesmo por aqueles que possuem conhecimentos técnicos para realizar tais mudanças nos aplicativos.


Tomemos dois exemplos: há aproximadamente um mês, foi publicada no BR-Linux uma noticia dizendo que, seis anos após o lançamento oficial, finalmente a Canonical permitiria que a barra de tarefas do Unity fosse colocada na parte inferior da tela, além da lateral esquerda, sua posição padrão. Essa era uma das principais reivindicações dos usuários daquela distro, mas o que mais chamou a atenção - e que eu mesmo comentei lá - é que, mesmo com essa necessidade, em todos esses seis anos absolutamente ninguém se dispôs a pegar os códigos do Unity e fazer as modificações necessárias para permitir a colocação da barra em algum local distinto do seu original.


Embora, é claro, a audiência do BR-Linux não tenha o nível de intimidade suficiente com a Canonical para saber o real motivo de ninguém ter feito isso ainda, um comentário, em toda sua simplicidade intelectual, resumiu bem a situação:




Mas, se há tantas outras opções de DEs (KDE, Gnome, LXDE, Xfce, Mate, Cinnamon, etc), pra quê ficar queimando a mufa tentando "pesonalizar" o Unity?! Muito mais fácil trocar de DE, ora bolas!...



Ou seja, parece que o perfil atual do usuário de software livre ou open source tende a buscar sempre a solução mais simples, mesmo que para isso ele não utilize de algumas das principais liberdades que tenha conquistado. Esse comentário resume bem essa situação: para que personalizar o Unity (ou pagar para alguém fazê-lo) se há outras opções disponíveis?


Situação similar ocorreu nessa semana, em que um erro na nova central de instalação de programas do Ubuntu impediu os usuários daquela distribuição de instalarem programas de terceiros. Rapidamente, emergiram vários tutoriais na internet para contornar o problema, mas esses tutoriais, em sua maioria, instruíam o usuário a instalar a central de programas antiga, que não teria sido afetada, sendo que uma solução bem mais "simples" seria usar o bom e velho dpkg -i nomedoprograma.deb.


Isso mostra que uma grande quantidade de usuários de Linux atual não apenas  procura soluções que não envolvam a linha de comandos como também ignora completamente sua existência. Outro ponto, porém, é que a mesma situação que aconteceu com o Unity se repetiu aqui: mais uma vez os usuários de Ubuntu ficaram "reféns" da Canonical, esperando que ela fornecesse uma solução definitiva para o problema. É claro que instalar a central de programas antiga foi uma solução criativa, mas não resolve totalmente a questão. Nessa semana, porém, não apareceu nenhum desenvolvedor independente com uma central de softwares alternativa com o problema corrigido ou com um patch para resolvê-lo, junto a instruções sobre como aplicá-lo.


Esses exemplos, embora simplórios, mostram a realidade da cena software livre/código aberto no Brasil e no mundo: a maioria dos usuários quer se manter afastada de questões um pouco mais técnicas e aqueles que têm conhecimento para resolver problemas por conta própria, não o utilizam para esse fim. Desta forma, os softwares livres/open source são utilizados de acordo com o modelo de software proprietário, em que a responsabilidade sobre a disponibilização de correções e de atualizações recai exclusivamente sobre o desenvolvedor do programa.

Comentários

  1. É por isto que uso o Gentoo desde seu lançamento! =D

    Os usuários de hoje estão muito preguiçosos ¬¬

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