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5 maneiras dos ativistas de software livre ajudarem a sociedade

Está havendo uma grande repercussão de meu artigo sobre o fato de os ativistas de software livre terem colocado a carroça na frente dos bois. Neste texto, mostro cinco sugestões de como os ativistas de software livre podem auxiliar essa maravilhosa causa sem ficar ditando o que determinados eventos podem ou não instalar.




1. Pressionar os governos pela adoção de softwares livres


Enquanto os ativistas brasileiros se focam em discutir o que pode e o que não pode ser instalado em eventos de softwares livres, ativistas de outras partes do mundo fazem coisas mais úteis. Desde 2009, por exemplo, a FSF Europa mantém uma campanha para que os sites governamentais dos vários países daquele continente indiquem o download de leitores de PDF livres para seus cidadãos, em detrimento de produtos como Foxit ou Adobe Reader.


Essa é uma campanha interessante e válida, pois os órgãos governamentais são mantidos com nosso dinheiro e, desta forma, demandam transparência, que o software livre pode oferecer. Surpreendentemente, nesse tempo todo a FSFLA, presidida pelo Alexandre Oliva, jamais fez algo parecido por aqui. Tanto que, no governo, o Software Livre continua sendo ameaçado.



2. Pressionar as montadoras de notebooks


Todos sabemos que as montadoras de notebook colocam hardwares - em especial placas de wi-fi - que exigem blobs binários para funcionar em seus equipamentos. Os ativistas deveriam tomar uma atitude e mostrar a essas montadoras que não estamos satisfeitos.


No Brasil, há muitos grupos de usuários de software livre em várias regiões. Os ativistas poderiam organizar um protesto em que os usuários iriam, determinado dia, para a frente dos escritórios de determinado fabricante exigir a utilização de placas wi-fi que não precisem de tais blobs. Dependendo de como se der a ação, a mesma poderá ter cobertura midiática local, atraindo mais atenção para o software livre.



Em Fevereiro de 1.999, vários usuários organizaram um protesto indo em frente à sede da Microsoft para exigir o reembolso da licença do Windows pré-instalado em seus computadores. Nós nunca fizemos algo parecido, mas tenho certeza de que haveria gente suficiente para comprar uma ideia dessas.



3. Espalhar propagandas pró-software livre


Outdoor gnu. Adaptado de http://vacantboards.com/wp-content/uploads/2013/07/Pictures-outdoor-advertising-free-ppt-backgrounds.jpg


No Brasil, temos várias associações e organizações formais voltadas ao software livre. A maioria delas está apta a receber doações de seus associados. Os ativistas poderiam trabalhar em conjunto com essas organizações para recolher doações e utilizar o dinheiro para colocar propagandas pró-software livre em outdoors e em ônibus, chamando a atenção da população em geral.



4. Criar softwares e aplicativos úteis


Muitos militantes do software livre possuem conhecimentos de programação. Logo, eles poderiam se reunir para criar softwares e aplicativos úteis para a população em geral - isto é, para os sistemas Android e Windows.


Claro que ninguém aqui está falando de se desenvolver um clone do Photoshop; estou me referindo a programas pequenos e simples, mas que desempenhem uma tarefa útil, como por exemplo:




  • Um aplicativo que avisasse a hora de tomar ou de aplicar algum medicamento;

  • Um aplicativo para que um torcedor pudesse acompanhar seu time de futebol nos vários campeonatos que ele participe;

  • Um aplicativo para fornecer o horário de programas de televisão, bem como resumo de capítulos de novelas e de séries;

  • Um programa para proteger as instalações Windows de ransomwares, como aquele que prejudicou, recentemente, a prefeitura de Pratânia.


Em algum lugar visível desses programas, haveria um aviso de que os mesmos são software livre com um link ou um botão para alguma tela ou página explicando isso em mais detalhes. Isso conscientizaria os usuários daqueles programas e poderia, até, trazer algum para o mundo GNU/Linux.



5. Contribuir com a educação


A educação é um terreno fértil para o software livre. Hoje, existem centenas de softwares educacionais livres e um ativista de software livre poderia ajudar, seja traduzindo a interface de um desses programas, seja escrevendo documentação de como utilizá-lo ou até escrevendo artigos para a Wikipédia sobre algum assunto que ele goste ou domine.



Concluindo


Os ativistas de software livre (e os usuários em geral) podem contribuir de muitas formas úteis para a sociedade. Mais úteis do que ficar atrás de um teclado ditando o que deve ou não ser instalado em eventos voltados ao tema, semeando a discórdia e afastando os potenciais usuários.

Comentários

  1. Concordo sem nenhuma ressalva ao seu artigo, e sim este e um caminho a ser seguido.

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  2. Semear distros no torrent :)

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  3. Marco Antônio da Rosa17 de fevereiro de 2016 11:29

    Parebéns, finalmente um artigo, quê vale a pena ser lido, por todos e ptincipalmente para os ativistas (politicos) brasileiros.

    ResponderExcluir
  4. Marco Antônio da Rosa17 de fevereiro de 2016 11:32

    Parabéns, finalmente um artigo, quê vale a pena ser lido, por todos e principalmente para os ativistas (políticos partidários) brasileiros.

    ResponderExcluir

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