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Como os desenvolvedores devem lidar com a pirataria de software?

Se você desenvolve ou pensa em desenvolver algum software proprietário e vendê-lo para clientes, a pirataria é um dos fatores que você deve considerar. Ela se traduz como "a prática de reproduzir, distribuir, ou mesmo vender produtos sem autorização dos proprietários de um produto ou de uma marca" (POZZEBON, 2015, disponível em https://www.oficinadanet.com.br/post/13448-o-que-e-pirataria, acesso realizado em 10/12/2015) e que está sujeita a até quatro anos de detenção e multa.



Apesar de haver uma maior pressão sobre esse assunto em clientes empresariais (basta pensar onde e como um software pirata seria lançado na contabilidade da empresa...). a pirataria traz perdas para todos: para o desenvolvedor, que deixa de obter lucro e, assim, mais recursos para investir e melhorar seu produto; para o governo, que deixa de arrecadar impostos; e para o usuário, que usa um produto sem suporte técnico do fabricante e que, muitas vezes, vem recheado de malwares que enviam informações sensíveis - como a senha da conta bancária - para pessoas desconhecidas. Além disso, em uma época atual, quando a população se mostra indignada pelos altos níveis de corrupção no governo, é inadmissível que utilizemos softwares obtidos de forma ilegal.


Tela de um keygen. Fonte:https://4.bp.blogspot.com/-SrCZyW705hc/UfrvtPPHbVI/AAAAAAAAA7o/xMWHc6dO9cc/s1600/universal+keygen+generator_thumb%5B1%5D.png

Qualquer forma de proteção contra a pirataria está sujeita a falhar. Por exemplo: se o desenvolvedor impõe que o usuário precisa digitar um número de série para instalar o programa (e esse número geralmente não vem escrito no disco), é possível que o usuário legítimo forneça uma cópia do programa a outra pessoa e lhe informe o código. Além disso, formas de validar números seriais que não utilizem algorítmos criptográficos, como RSA, são, por definição, ineficientes. Basta imaginar que algum cracker poderá rodar seu programa sob algum depurador e, assim, poderá compreender como o número de série é validado. Com a utilização de propriedades matemáticas, ele poderá criar uma função inversa e, assim, um programa, chamado keygen, que gerará chaves aceitas pelo seu software. Com isso em mente, muitas empresas resolveram buscar formas alternativas de validar as licenças de seus produtos. Algumas delas sendo as travas de hardware ou a ativação online.


Trava de hardware. Fonte: http://www.coade.com/uploads/cadworx/error/all-products-ebodc-net05-red-parallel.jpg

 

Toda forma de proteção contra pirataria, no entanto, traz algum incômodo para o usuário. No caso das travas em hardware, se as mesmas forem perdidas ou danificadas, o programa não pode mais ser utilizado. Além disso, seu custo é proibitivo para pequenas empresas desevolvedoras.


Já a ativação online também possui seus inconvenientes. Com as recentes revelações sobre o programa de espionagem da NSA, alguns usuários sentem-se preocupados em enviar informações pessoais ou sobre seus equipamentos para empresas privadas, sendo que muitas vezes esses dados são armazenados em um país diferente daquele no qual o usuário está localizado.


Além disso, ativar um programa on line nem sempre é possivel. Em alguns cenários - como em plantas de usinas elétricas - alguns sistemas simplesmente não são conectados à Internet por uma questão de segurança. Por outro lado, manter um sistema de ativação online representa um custo para o desenvolvedor, sem falar que, se esse sistema sair do ar, os clientes legítimos não conseguirão validar suas cópias.


Mesmo assim, a criação de um sistema de ativação online não é uma garantia de que o software não será pirateado: um cracker poderia estudar o tráfego de rede entre seu programa e o sistema de ativação e criar um servidor falso, que emulasse uma resposta positiva.


Mas então, qual é a solução contra a pirataria? O desenvolvedor preocupado tem duas alternativas: a primeira seria tornar seu seriço online, como o Google Docs, por exemplo. Desta forma, ele terá controle completo sobre quem pode ou não utilizar o sistema e, assim, impedir quaisquer acessos não autorizados.


Nem todos os softwares, porém, podem ser on-line. A segunda forma, portanto, é tornar seu programa um software livre. Deste modo, toda a comunidade sai ganhando, pois todos podem contribuir, e o lucro advém não da venda de licenças, mas sim de serviços como suporte técnico e personalizações.


No entanto, se você for contrário à ideia de software livre, o melhor a fazer é criar um programa de qualidade e recompensar os usuários legítimos, ao invés de punir os ilegais. Afinal, como dizem na rede, se seu software foi pirateado significa que ele é bom o suficiente para que alguém se desse ao trabalho de fazê-lo.

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