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O usuário sai do Windows, mas o Windows não sai do usuário!

Este artigo não representa mais minha visão sobre o software livre e está sendo mantido aqui apenas por razões históricas. Para minha visão atual, veja este artigo.


Atualmente, existe um consenso informal na "comunidade" de usuários de GNU/Linux nacional, principalmente na blogosfera dita especializada, o qual repousa no pressuposto de que o usuário do sistema operacional livre pode - e deve - instalar o que ele bem entender em seu computador. Embora essa seja-lhe, de fato, um direito inalienável, aqueles que discordam de tal ponto de vista, apegando-se aos valores e à filosofia do movimento do Software Livre, são taxados pejorativamente de xiitas - termo, aliás, totalmente infeliz, visto que a maior parte dos ditos "xiitas" não é seguidor do Islamismo -, com um sentido de alguém com uma mentalidade atrasada e radical. logo sendo sumariamente ignorados.


Nesse cenário desolador, cabe-nos perguntar, então, se a figura de Richard Stallman ainda se faz necessária na contemporaneidade e investigar as causas de tal movimento de rejeição, o qual pode ter suas raízes em uma má compreensão no verdadeiro significado do Software Livre, nos processos de normação e de normalização descritos por Focault e, principalmente, na constatação de que o usuário sai do Windows, mas o Windows não sai do usuário.




 Um mal-entendido, a raiz de todo mal


 

 

Nas redes sociais e nos blogues, é comum encontrarmos a ideia de que os sistemas operacionais baseados em GNU/Linux apenas serão plenamente utilizáveis com o auxílio de softwares e de drivers proprietários. Mais ainda, há o entendimento de que, em um sistema completamente livre, o usuário deveria digitar escabrosas linhas de comando e editar complicados arquivos de configuração a fim de realizar tarefas simples, como enviar um e-mail ou navegar na Internet.


Sinceramente, não sei de onde se originou tal mito. No entanto, é de se espantar que a maioria dos usuários considera a linha de comando como algo negativo ou ultrapassado em relação à interface gráfica. A própria História nos mostra que, na verdade, foi a interface gráfica, desenvolvida em um laboratório da Xerox, em Palo Alto, que invadiu os sistemas operacionais, tornando-se um componente quase que alienígena naquilo que já existia.


É inegável que a interface nos trouxe alguns benefícios, mas isso não significa que a linha de comando esteja já obsoleta: muitas das tarefas que podem ser realizadas de forma gráfica podem ser realizadas de forma mais rápida e eficiente na linha de comandos, muitas vezes com ferramentas nativas do sistema, sem a necessidade de se instalar programas adicionais.Para pessoas como eu, que iniciaram sua jornada computacional no MS-DOS, a linha de comando não assusta. No entanto, os usuários mais jovens não sabem o que é isso, pois suas primeiras incursões na Informática já foram gráficas. Isso é, sem dúvidas, um reflexo de nosso precário sistema de Educação, que desde a escola básica não incentiva o aluno à leitura e ao pensamento. Para o usuário contemporâneo, é mais fácil clicar em um botãozinho do que aprender uma palavra ou uma sintaxe que deve ser digitada, mesmo se essa sintaxe pudesse fazer a mesma coisa que o botãozinho de uma maneira melhor (é o caso, por exemplo, do Squeeze, o programa de compressão de arquivos do XFCE que, no meu notebook, muitas vezes fica travado vários minutos ao descompactar um arquivo, enquanto que o comando equivalente faz tudo num piscar de olhos).


De qualquer forma, a associação de que um sistema operacional 100% livre nos obrigaria a utilizar uma interface de linha de comandos para realizar nossas tarefas é um mito. Basta ver os sistemas recomendados pela FSF, como Trisquel ou GNewSense, para comprovar o que estou dizendo.



O certo e o errado


Desta forma, o usuário médio tende a rejeitar tudo aquilo que diga respeito a usar sistemas totalmente livres, o que é um grave mal-entendido e um completo desserviço à comunidade.


Richard Stallman criou o movimento do Software livre porque ele advinha de uma subcultura hacker originária no MIT. Nessa subcultura, muito se valorizava o compartilhamento da informação. No entanto, com o avanço da computação pessoal, esta entrou em declínio, pois o que antes era compartilhado livremente passou a ser tratado como valosos segredos comerciais.


Stallman, então, considerou que não era ético restringir do usuário o direito a estudar e a modificar os programas de computador, bem como de distribuir suas modificações. Assim, para Stallman, os softwares proprietários não são éticos porque restringem a Liberdade do Usuário.Para atacar esse problema, ele definiu as quatro liberdades fundamentais que, em sua visão, permitiriam que o usuário pudesse estudar, modificar e compartilhar livremente seus programas de computador.


Portanto, embora seja comum, hoje, misturar indiscriminadamente softwares livres e proprietários, tal atitude é um atentado à ética definida por Stallman, pois o fato de um sistema operacional possuir ao menos um software ou driver proprietário impede que o usuário possa estudá-lo, modificá-lo e distribuí-lo.Por essa razão,os usuários ditos xiitas, mas que na verdade são mais comprometidos com a filosofia GNU, possuem uma posição específica em colocar a liberdade de software acima de qualquer conforto ou benefício que um programa proprietário poderia lhes trazer. Isso explica a polêmica declaração de Stallman de que Liberdade não é liberdade de escolha: ao falar isso, ele estava se referindo à liberdade de software e à necessidade de se dispor a fazer sacrifícios para preservá-la, algo que poucos estão dispostos hoje.


A resistência dos usuários em abdicar dos confortos trazidos pelos programas proprietários se deve, principalmente, a um processo de normalização. Conforme define Michel Focault [Fonte], a normação é o processo de se partir da norma para, em seguida, distinguir-se o normal do anormal; já a normalização é o oposto: primeiro se define o que é normal para, em seguida, assinalar as diferentes curvas de normalidade.


Ora, no mundo do software livre, a norma, obviamente, é usar programas livres. No entanto, a maioria dos usuários, em um desesperado processo de normalização, definiu que o normal é usar programas independente de sua licença e, assim, quem possui uma posição um pouco mais restrita e é incapaz de se adequar a essa norma artificial, é taxado de anormal ou, como dizem, de xiita.



O usuário sai do Windows, mas o Windows não sai do usuário


É necessário, então, investigarmos de onde vêm os novos usuários de GNU/Linux. Atualmente, posso imaginar duas principais possibilidades: a primeira são aqueles usuários curiosos, que não se contentam com o Windows e acabam pesquisando alguma alternativa a ele, acabando por chegar ao software livre; a segunda são aqueles usuários que descobrem (ou sabem) que o Windows da sua máquina é ilegal (vulgo pirata) e possuem a consciência de que necessitam ficar dentro da lei. No entanto, seu pensamento completo é, na verdade, o de que eles precisam estar dentro da lei sem gastar um centavo sequer para isso.


Assim, como os primeiros, eles acabam descobrindo o GNU/Linux, mas como uma boa parte dos primeiros, eles não aceitam o fato de que o GNU/Linux é um sistema operacional totalmente diferente do Windows (estamos falando de uma base Unix-like contra uma base MS-DOS-like) e procuram, na verdade, um Windows gratuito ou, pelo menos, um sistema operacional gratuito que lhes permita fazer as mesmas coisas que eles faziam no Windows, exatamente da mesma maneira.As diferenças arquitetônicas entre as duas plataformas, porém, mais cedo ou mais tarde (e isso geralmente significa mais cedo) acabam se revelando um empecilho. Tais diferenças foram um dos pontos fortes para o fracasso das distribuições dos computadores do programa PC Conectado, que tentavam imitar, descaradamente, a interface da Microsoft: podiam fazer um sistema visualmente idêntico, mas o usuário acabaria, de uma forma ou outra, descobrindo que havia alguma coisa errada, alguma coisa que fugia do normal.


Portanto, os usuários que querem um Windows grátis acabam se reunindo em torno da distribuição mais popular e estão nem aí para questões filosóficas e de licença. Tudo que eles querem é continuar fazendo as mesmas coisas de antes, do mesmo jeito.



E Richard Stallman, ainda precisamos dele?


 

A figura de Richard Stallman é polêmica, mas tal polêmica se deve, principalmente, aos fatores anteriormente mencionados. Além disso, talvez por ter a síndrome de Aspenger, ou por ser ateu e ter uma forte ligação acadêmica com a Lógica (Stallman é formado em Física), ou talvez por ambos, Stallman tenta ser coerente com aquilo que ele mesmo diz.


Pode assustar a muitos o fato de o bom doutor se recusar a fazer coisas banais, como assistir a um filme na Netflix ou usar uma gambiarra enorme para acessar um simples website, mas tudo o que ele faz está de acordo com aquilo que ele acredita e definiu. Se Stallman não tivesse tais atitudes, consideradas radicais por muitos, seu movimento do software livre provavelmente teria o mesmo destino de um restaurante vegetariano em Porto Alegre, o qual teve de fechar as portas após seus clientes descobrirem que os donos se deliciavam em uma churrascaria nos finais de semana.


Logo, guardadas as devidas proporções, Stallman exerce, para o movimento do Software Livre, um papel similar ao de Jesus Cristo para o Cristianismo: enquanto este demonstra como devem ser nossas atitudes para alcançarmos uma suposta salvação pós-mortem, aquele nos diz como devemos agir se quisermos ter liberdade de software e garantir que essa liberdade seja preservada. Assim como Jesus, Stallman é a figura que incomoda e que irrita, pois ele desafia a norma, desafia o senso comum, se contrapõe àquilo que todos acham normal.


Assim, nós precisamos de Richard Stallman para nos mostrar e nos lembrar o verdadeiro significado do software livre, principalmente no mundo atual, onde este significado foi desvalorizado e a liberdade de software deu lugar à libertinagem de software. Mas e quanto àqueles que, ao ler um texto desses, comentam raivosos e quase chorando em redes sociais e em blogues, que a única coisa que querem é um sistema fácil de usar, exaltando sua ignorância ao justificar que não são programadores? Esses, além de em nada contribuírem para o software livre, prestam um desserviço ao mesmo, ao incitar a utilização de programas e de drivers proprietários, como se o software livre precisasse de muletas para ficar de pé. A eles, seria melhor que jamais tivessem saído de onde vieram.

Comentários

  1. Muito bom artigo

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  2. Bruno dos Santos Almeida21 de janeiro de 2015 00:59

    Muito bom o texto. Entendo sua linha de pensamento, porém acho que esta questão de usar um ambiente totalmente livre sem a necessidade de utilizar softwares privados ou "gambiarras para acessar um site" só vai conseguir evoluir e se consolidar como viável e prática de fato quando os responsáveis pelo desenvolvimento desses software se preocupem com coisas como usabilidade, experiência do usuário. No meu ponto de vista há softwares livres tão bons ou até melhores que seus equivalentes proprietários porém pecam na mesma coisa, não são intuitivos para se usar.
    Concordo que as pessoas devem perder o medo da linha de comando como você mesmo explicou elas estão lá desde sempre. Mas só são úteis para quem tem conhecimento técnico ( não vou entra no mérito se o usuário de linux deve ter como pré requisito tal conhecimento). Para quem é leigo digitar coisas em um terminal onde não se sabe me exatamente o que esta acontecendo é meio assustador. Então pensando no cenário de uma pessoa que sai de um mundo Microsoft e embarca no mundo Linux é completamente aceitável que ela faça comparações entre os mundos e busque semelhança para facilitar seu uso pois o pensamento é que a tecnologia está ai para ajudar/simplificar as tarefas e não complica-las e as vezes um jeito diferente de se fazer a mesma coisa é considerado menos eficiente de que o de uso comum.

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  3. Bom dia,

    Sou formado em Ciência da Computação e desde 1997 seu usuário GNU/Linux em alguma medida (primeiro com a distribuição Conectiva, depois com o Slackware (1998) passando em 2006 ao Ubuntu e agora me estabilizo no Debian).
    Mais recentemente dei-me o direito de buscar me aprofundar em disciplinas que a muito me cativavam como Sistemas Operacionais, Inteligência Artificial, Computação Gráfica e mais outras duas. Essa mensagem é para especificamente tratar a respeito C.G. e relaciona-la com o que foi exposto no texto acima.
    A pergunta é: como não trabalhar em algum momento com softwares/drivers proprietários e mais especificamente com drivers proprietários no caso de C.G. se seus equivalentes livres não dão todas a funcionalidades/desempenho de que precisamos para plenamente trabalhar com C.G.?
    Não faltaram episódios de frustração quando, estudando C.G. com PyOpengl (por exemplo), me deparava com mensagens de erro que me levaram a constatar que o problema era o driver de vídeo livre que não suportava um dado recurso necessário para algo que estava naquele momento estudando. Sei que houve muitos progressos no desenvolvimento dos drivers para GPUs da Nvidia e AMD mas que ainda não estão tirando todo potencial que uma GPU até mesmo de baixo desempenho ( e o que dizer as de alto desempenho).
    Também sei que os drivers para as GPUs da Intel embarcados em seus processadores da série i são os que mais se aproximam do que podemos dizer como livres mas por outro lado a Intel terá que rebolar MUITO para chegar ao nível das GPUs da AMD e o que dirá da Nvidia.
    Bom, essa é a minha opinião que pode muito bem mudar se me demonstrarem que estou errado!
    Também espero uma réplica civilizada para o que expôs acima e uma bom debate a respeito.

    Milton

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  4. Opa, beleza Dr. Milton

    Assim que nem você, eu me deparo com o problema onde o potencial é restringido pelas fabricantes com seus bloqueios físicos e por seu imenso medo de que descubramos que os pedaços de pedras interligados por metais que eles nos vendem a preço de chifres de unicórnios estão cheios de falhas e promessas falsas. É triste estarmos sob a tirania dessas malditas empresas, sinto que em um futuro não muito distante, por questões políticas a internet pode deixar de ser global e livre como acontece na Coréia do norte ou na China onde só navegam no que o governo permite ou tornar-se ainda pior, uma separação física(desenvolver o próprio hw) como a Russia citou no ano passado por culpa da NSA, pela lógica, como poderá confiar em um código fechado se não sabe o que realmente está programado?
    Os programadores de drivers livres sempre estão em lutas titânicas para não infringir nenhuma patente senão o processo pode comer solto (Lembra do George Hotz? Aliás sempre pensei que quando você compra alguma coisa, ela se torna sua, mas pelo jeito a Sony não pensa o mesmo). A intel está no mesmo barco, enquanto todos usarem softwares que requerem funções "X" o hw terá que estar conforme esse padrão. No final nós mesmos somos culpados por não ter coragem de boicotar as empresas que nos manipulam...

    Edwin
    (ps. estava meio sonolento, não sei se consegui manter a clareza e a concordância frasal, foi malz)

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  5. Boa tarde Edwin,

    Eu adoraria boicotar as Empresas que estão ai! Por exemplo, as produtoras dos GPUs lideres do mercado (Nvidia, AMD e na rabeira, a Intel)! Mas existe outra alternativa para os produtos dessas Empresa no tocante à GPUs que nos permitam trabalhar com C.G. pelo mesmo decentemente? Se existir, me avise e indique onde posso encontra-las para poder fazer uma analise.

    Milton

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  6. Caramba, até arrepiei! Excelente Texto

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  7. Stallman nos mostra o caminho para voltarmos ao que somos, no meio informático, digital, que é a base de tudo para hoje. Sair do poder controlador. Simples. Querer ou não é problema de cada um.

    Em mundo de vampiros, quem não é, é odiado por todos.

    ;-)

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  8. Excelente artigo, André!

    Concordo com ele em sua totalidade, e o parágrafo que mais
    me chamou atenção foi sobre a comparação (guardada as
    devidas proporções como você muito bem escreveu) entre
    Richard Stallman e Jesus Cristo:

    "Logo, guardadas as devidas proporções, Stallman exerce,
    para o movimento do Software Livre, um papel similar ao
    de Jesus Cristo para o Cristianismo: enquanto este
    demonstra como devem ser nossas atitudes para alcançarmos
    uma suposta salvação pós-mortem, aquele nos diz como
    devemos agir se quisermos ter liberdade de software e
    garantir que essa liberdade seja preservada. Assim como
    Jesus, Stallman é a figura que incomoda e que irrita,
    pois ele desafia a norma, desafia o senso comum, se
    contrapõe àquilo que todos acham normal."

    É por isso que respeito Richard Stallman. Penso que sem
    os seus ideais filosóficos e éticos o software livre e
    também o software de código aberto não seriam utilizados
    da maneira como estamos presenciando atualmente! Portanto,
    precisamos lembrar constantemente de nossas origens e
    não aceitarmos tudo que o "sistema" - vugo a "matrix" - nos
    impõe.

    André, continue escrevendo e compartilhando artigos sobre
    software livre!

    Atenciosamente,

    --
    Éder S. G.

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  9. Por enquanto ainda não temos uma "brastemp" para trabalhos de CGs, o que nos resta é aguardar e contribuir com aqueles que apoiam o software livre, no caso a intel, postando sobre defeitos e incoerência no driver deles, outro caso é contribuir com o grupo que programa os drivers abertos da amd. A nvidia é a única que quase nunca libera documentações sobre o hw aí fica difícil pra todos a não ser que seja um especialista em hw.
    Se eu tivesse conhecimento acho que conseguiria contribuir em algumas linhas de código ou correções, mas acho que já estou velho para aprender coisas novas demais, meu cérebro não me ajuda kkkkkk.
    Como dizem, "A esperança é a que morre por último" e assim eu sigo.

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  10. Olá,

    Sou usuário GNU+Linux desde 2009, e me tornei usuário e defensor do *software* livre e dos sistemas livres (em sua maioria GNU+Linux-libre, com exceção do Replicant, e do JNode) em 2011. Atualmente uso GNU+Linux-libre Trisquel.

    Acredito que essa questão de "aprendizado" sobre como utilizar determinado *software* livre pode ser resolvido instruindo o usuário a desde o início, usar comandos como help, info, e man, bem como documentações presentes no próprio sistema, no site do programa, e também por ajuda nos fóruns, canais de IRC, ou por e-mail.

    Claro que também existe o velho problema da disponibilidade das documentações e programas para idiomas além do inglês, visto que temos poucos recursos humanos para isso.

    Quanto á usabilidade dos programas, entramos em um ponto um tanto delicado. Não sou programador, mas sei que se partirmos do pressuposto de que os desenvolvedores de *software* livre devem se esforçar sempre para desenvolver algo amigável, isso pode implicar que teremos que fazer mais de nossa parte como usuários, sendo inclusive testadores das versões em desenvolvimento do programa em questão, bem como doadores e tradutores também. Eu pessoalmente não tenho muito tempo para fazer traduções dos programas livres que gosto, e aposto que os desenvolvedores também não têm tanto tempo reservado apenas para os programas livres que desenvolvem.

    Quanto ao *hardware*, existe um projeto apoiado pela Free Software Foundation chamado H-node (https://www.h-node.org/) que é um catálogo com resultados de testes feitos pela comunidade (qualquer pessoa), que serve como forma de verificar se um *hardware* específico funciona com sistemas livres ou com o GNU+Linux Debian (para este, são colocados alguns requerimentos extras, visto que ele não é livre).

    Quanto às GPUs da AMD/ATI, elas de fato têm *drivers* para GNU+Linux, mas estes não são livres, apenas de código aberto. O mesmo vale provavelmente (não tenho certeza) para a Nvidia.

    Os únicos *drivers* livres para AMD/ATI não suportam aceleração 3D. Já no caso das GPUs da Nvidia, estas podem ser usadas com os *drivers* do projeto Nouveau, que funciona melhor com placas de famílias inferiores à Fermi, podendo oferecer certa aceleração 3D fazendo uso do Gallium3D.

    Já as GPUs da Intel são, como posso dizer, um paraiso. Pois os *drivers* são livres por padrão. E existem especulações que a mais nova GPU da empresa, Intel Iris Pro (e similares), também suportam aceleração 3D em sistemas operacionais livres.

    Quanto às GPUs alternáveis (ou sei lá como são chamadas),
    espere resultados ainda piores se quiser manter essa capacidade de alternar entre as duas GPUs existentes. Porém, os resultados são melhores se optares por deixar apenas uma das GPUs.

    Respeitosamente, Adonay.
    Tenham um bom dia.

    ResponderExcluir
  11. Olá, amigo.

    Gostei de seu comentário, mas não entendi o porquê de sua solicitação para respondê-lo na rede Diáspora. Além disso, pelo que acessei na rede, o comentário lá não referencia esse texto e, por isso, removi essa paste.

    Em relação à documentação do sistema, é um ponto positivo, mas ninguém lê documentação nesse país... principalmente texto técnico.

    ResponderExcluir
  12. Nossa! Podia jurar que o link iria funcionar...

    Bem quanto à minha solicitação, faço a mesmoa justamente pois sou uma pessoa muito esquecida quando o assunto é acompanhar sites/blogues.

    De qualquer forma, espero que eu não me esqueça de acompanhar esta postagem (e seus comentários).

    Além disso, que bom que você gostou do comentário, espero que a indicação do site do H-node seja útil, principalmente se quiser contribuir para o mesmo, testando hardware e colocando o resultado lá (respeitadas as condições para validação dos testes no site, claro).

    Respeitosamente, Adonay.
    Tenham um bom dia.

    ResponderExcluir
  13. Eu cheguei ao texto no blog pelo comentário na Diaspora.

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  14. Meus parabéns André Machado. O texto é bem redigido e de excelente conteúdo. Sou usuário e defensor do Trisquel GNU/Linux; evito discussões sobre Software livre e código aberto, porém as vezes são inevitáveis. Vou realizar um workshop na Campus Party dia 06/02 sobre este tema (Software livre e Código aberto), vou usar alguns pontos do seu texto. Convido você para a mídia social que desenvolvi e mantenho (www.tux4.com.br)seria um prazer ter você no quadro dos amigos e parceiros e compartilharmos ideias filosoficas e técnicas.

    ResponderExcluir
  15. geony guimarães Barbosa25 de fevereiro de 2015 13:08

    Amigo, ótimo texto, como sou um amante do linux, defendo de certa forma windows quando o mesmo é obtido de forma legal, fico furioso por ate mesmo no meio proprietário quando windows perdeu o menu iniciar e um monte de alienado não consegue sair do comodismo. já fui um amante do ruiwindows, mas por ser técnico de informatica não posso bani-lo de minha vida tento casar o windows com linux, mas a maior parte tenho fazer no linux o que é feito no windows e falo como certeza desde um proxy com squid a um proxy como windows o squid ate hoje ainda nao me deixou na mão, e olha que eu nem falei do nagios que uma maravilha.

    ResponderExcluir
  16. Atenágoras Souza Silva13 de maio de 2015 14:05

    Olá André, tudo bem?
    Entendo o seu ponto, mas e quando não temos alternativas aos Softwares proprietários?
    O ponto do Milton sobre computação gráfica é um exemplo de que, às vezes, não temos alternativa, não é uma questão de "querer as coisas mais fáceis, e que se dane a filosofia".
    A coisa fica ainda mais crítica quando vamos para a telefonia e computação móveis.
    Veja você mesmo, na dica 8 desta postagem sobre como Hackear a Inflação:

    "8. Adeus telefone, olá Skype!

    Tarifas de telefonia são um dos maiores gastos que enfrentamos, seja em linhas pré ou p-os pagas.

    Para economizar, que tal trocar seu telefone convencional por um VoIP? Programas como o Skype ou o Ekiga permitem que você converse com seus amigos – inclusive com vídeo – sem gastar nada! E se você precisar ligar para telefones convencionais, em geral os planos disponíveis são mais baratos do que os da sua operadora. Sem falar que eles estão disponíveis para Android e iOS e que existem até aparelhos de telefone VoIP, caso você não goste de ficar o tempo todo em cima do PC."

    Não sei se o HTML nos comentários está habilitado para destacar o que eu gostaria, mas você, nesta postagem, recomendou soluções que não usam 100% software livre.
    Não acho que você tenha trocado os princípios pela facilidade, mas isso evidencia o quanto é difícil a fidelidade a eles quando, simplesmente, não temos escolha.
    Stallman está certo, Liberdade não é liberdade de escolha. Mas e quando nem essa nós temos?

    Um grande abraço do fundo do meu coração vermelho de outubro de 1917,
    Atenágoras Souza Silva.

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  17. Entendo que Movimento Livre (GNU) não é a mesma coisa que Linux (creio que todos concordam).
    No teu texto deu para entender que para usar um Software Livre (GNU) tem que ser obrigatoriamente programador. Se for isso, Ok, então falta deixar mais claro quem é o publico-alvo do GNU, porém o Linux (com software proprietário) foi além do GNU (que limita seu sistema a programadores e expert em TI), permitindo que quem não é programador possa usar seu sistema, mesmo que "infrinja" o conceito de liberdade (nem todos são adeptos à ela, isso é escolha de cada um).

    Nessa frase "Mas e quanto àqueles que, ao ler um texto desses, comentam raivosos e quase chorando em redes sociais e em blogues, que a única coisa que querem é um sistema fácil de usar, exaltando sua ignorância ao justificar que não são programadores?" vc quis dizer que quem não é programador é ignorante... o que eu não concordo, apenas não querem seguir a filosofia livre, mas querem utilizar Linux.... ok e tem que respeitar isso, não pode é obrigar a todos que usam linux a serem livres, ai vc está sendo como os crentes chatos que querem que todos acreditem em Deus (somente os chatos fazem isso, os legais não... rsrs).

    Há de entender que nem todos querem seguir essa filosofia, mas dizer que "seria melhor que jamais tivessem saído de onde vieram." (os usuário linux não Livre) isso é querer se colocar como alguém melhor porque utiliza software 100% Livre... aí eu QUASE dou razão em utilizar termo xiita, ou seja, alguém que quer usar força (moral) para dizer que a sua filosofia é melhor do que a do outro, quer se colocar num patamar acima rebaixando o outro que não tem uma "filosofia" de "software".

    Liberdade não é software, se você usa redes socias, smartphones, caixa eletrônico, e qualquer outra coisa que foi uma empresa que fabricou e patenteou, você não é Livre. Nesse caso ninguém é.

    Concordo com um monte de coisa que você escreveu no artigo, tem muito bostinha que usa Linux e se acha Livre e fica xingando de xiita e atacando usuarios Windows com termos "Ruindows" e não sabe porra nenhuma... esse bostinha que seria o verdadeiro xiita da informatica se isso existisse, ou seja, paga-se de fodão e não é.
    Essa aliás é a primeira vez que escrevo esse termo (xiita) pois não curto essa simplificação e discriminação de um grupo de pessoas.
    Então aos entusiastas do mundo Livre, sigam seu conceito livre até onde é possível ou agradável e respeitem a decisão dos outros que querem utilizar Linux e não querem seguir à risca o conceito de Liberdade do GNU. E aos que não querem seguir a Liberdade GNU, respeitem quem quer e aceita isso como sua verdade.
    Cada um traz a sua contribuição para o Software e para a Humanidade.
    Essa mesma discussão de Liberade lembra muito a discução (briga) entre Veganos e não Veganos (nessa categoria entra os vegetarianos que apenas não comem carne mas comem ovo por exemplo)... mas discussão é sempre um problema pois sempre é esquecido o mais importante que é o RESPEITO e cada um buscar a SUA própria felicidade, o seu Nirvana.

    Namastê!
    (Significado: "O Deus que habita em mim saúda o Deus que habita em você!"... independente se o seu Deus for Allah, Buda, Darwin, Krishna, Turing, Jobs, Vishnu, Maomé, Jesus, Stallman, Salomão, Você Mesmo ou quem vc quiser... só não o Bill Gates, por favor... hehehehe... brincadeira, ele contribuiu muito para a Humanidade tbm...)

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