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Os desafios da educação móvel e da informática na educação

Recentemente, iniciou-se um grande casamento entre educação e tecnologia. Cada vez mais instituições de ensino de todos os níveis estão percebendo as vantagens de se utilizar as famosas TICs - tecnologias de informação e de comunicação - em sala de aula para fins de aprendizado. No entanto, essa nova abordagem ainda enfrenta muitos desafios, seja por parte dos professores, seja por parte da administração pública.



Não adianta: a tecnologia está aí e o corpo docente não pode mais se dar ao trabalho de ignorar sua existência. Não é de hoje que muitos mestres simplesmente demonstram pavor só em ouvir falar na utilização de qualquer coisa em sala de aula que não sejam os tradicionais giz e quadro negro. Isso talvez se deva à falta de tempo que o professor possui para preparar adequadamente suas atividades e para se atualizar.


Por outro lado, não podemos simplesmente endeusar a informática e elegê-la como a solução para os problemas na educação. É necessário que a utilização de tais recursos esteja de acordo com um plano ou um projeto didático e que a mesma possua um claro objetivo de aprendizado. Afinal, desde quando eu estava na escola, utilizava-se computadores para assistir e produzir apresentações de slides e, vez que outra, utilizar-se algum software dito educacional. A verdade, porém, é que se o professor não souber o que ele está fazendo, dificilmente aquela atividade trará um resultado positivo.


A utilização da informática e da robótica pode despertar o interesse dos alunos.


Não se trata apenas de utilizarmos um computador: alguns exemplos ocorridos no FISL mostram casos de sucesso com aulas de robótica, onde os alunos podem aprender Física, Matemática, Informática e outros assuntos de forma divertida ao aguçarem suas curiosidades. Mas não podemos, como dito, abandonar o aluno em frente ao computador. No artigo Do Novo PC ao Velho PC, de SANTANA e BORGES NETO. os autores investigam alguns dos problemas na utilização de recursos computacionais em aulas de Matemática. Eles chamam de "Novo PC" o personal computer e de "velho PC" a dupla papel-caneta. São elencadas três formas de o professor utilizar a informática em sala de aula ou em um laboratório:




a) abandona as possibilidades de trabalho no LIE e retoma sua forma de trabalhar como na sala-de-aula;


b) abandona os alunos deixando-os manipular a ferramenta computacional indiscriminadamente;


c) procura desenvolver novas estratégias adequando uma forma de transposição dos problemas da sala-de-aula para a ferramenta computacional em uso por ele e pelos alunos

Embora a maioria dos professores frequentemente utilize as formas a e b, a c é a mais adequada, pois no momento em que os problemas do velho PC são apenas traduzidos para o novo PC, o equipamento é subutilizado enquanto que, ao abandonar o aluno em frente ao computador muitas vezes pode ser o anúncio de um desastre, principalmente quando ele aperta em algo que não devia. Nesse caso, há uma escolha difícil: devemos dar uma receita de bolo para que o estudante utilize tal programa ou deixá-lo explorar livremente os recursos? Muitos professores temem a segunda abordagem pois, ao também desconhecerem a correta utilização dos programas, correm o risco de terem sua autoridade questionada. Torna-se necessário, portanto, desenvolver-se novas formas de se utilizar o computador em seu pleno potencial.


Mais ao final do artigo, os autores relatam a necessidade de se retornar ao velho PC para se testar as soluções fornecidas pelo computador através da lógica matemática. Esse é o cerne da questão: não devemos simplesmente abandonar o método tradicional  de se dar aulas em relação às novas tecnologias. Para uma utilização eficiente, ambos devem trabalhar lado a lado, o aluno pode e deve testar, através da lógica e de seus conhecimentos, as respostas fornecidas pelos materiais computacionais.


Se, por um lado, porém, os professores desconhecem as maneiras adequadas de se trabalhar com a informática, muitos alunos também. Recentemente, assisti a uma defesa de mestrado na qual o postulante ao título fez uma experiência na escola onde leciona utilizando planilhas eletrônicas para ensinar funções. Ele constatou que, embora todos os alunos tivessem acesso a um computador em casa, nenhum sabia o que era uma planilha eletrônica, pois eles passam o dia inteiro utilizando o equipamento para jogar e interagir em redes sociais. Esse, na minha opinião, é um completo desperdício do poder computacional há algumas décadas inimaginável que temos, hoje, em nossas mãos.


Educação móvel


Outra vantagem da utilização da informática na educação é a educação móvel, chamada de m-learning, algo que está muito em voga atualmente, principalmente devido à explosão de smartphones, de tablets e dos demais dispositivos informáticos portáteis. Através da educação móvel, os alunos podem estudar e aprender em ambientes extrassolares, como em casa ou no trabalho, quando quiserem e dentro do seu próprio ritmo. Outra vantagem da educação móvel é que o celular ou o tablet elimina a figura do clássico laboratório de informática. O professor, agora, não precisa mais reservar um horário para utilizar os equipamentos: os alunos podem, através de seus próprios telefones, pesquisarem assuntos que estão sendo vistos em sala de aula e utilizar aplicativos indicados pelo professor para resolver atividades.


A ideia é promissora, tanto que a UNESCO mantém uma página com várias publicações gratuitas sobre o assunto que mostram casos de sucesso em diversos países nos cinco continentes. No entanto, a maior barreira aqui no Brasil vem da administração pública, e não dos professores entre si. Se, por um lado, temos o programa UCA,  Um Computador por Aluno, em alguns estados, como no Rio Grande do Sul, temos essa lei, originalmente proposta pelo deputado Giovani Cherin:


Lei 12884


Ou seja, se você for um professor e quiser utilizar um aplicativo móvel em sala de aula, ou até mesmo um acadêmico que deseja realizar uma pesquisa sobre educação móvel, não venha para o Rio Grande do Sul, pois utilizar celulares dentro de sala de aula, aqui, é simplesmente proibido. É claro que podemos ver a "boa" intenção dos governantes ao tentar evitar a dispersão da atenção dos alunos em relação ao professor, mas o fato é que leis como essa simplesmente assassinam quaisquer possibilidades de pesquisa e de inovação.


Sejamos sinceros: todos sabemos que, apesar de o texto dessa lei estar afixado em locais visíveis de escolas públicas, todos os alunos utilizam seus telefones nas salas de aula. É uma lei que está só no papel, mas que pode trazer problemas para alguém que queira fazer uma pesquisa acadêmica ou para um professor que deseje sair do feijão do arroz. Afinal, se foi necessária essa lei, é porque os alunos não têm atenção e interesse no que está sendo transmitido pelo professor e, ao invés de se permitir uma mudança paradigmática, proíbe-se a utilização dos aparelhos.


Sou a favor de que a classe docente entre em contato com o governador eleito para discutirmos a continuidade da vigência dessa lei, pois ela está, claramente, afastando novas possibilidades de ensino e de aprendizado nas escolas e universidades de nosso estado.

Comentários

  1. Saudações.

    Desculpe, mas não vejo relevância no uso de telefones celulares em sala de aula. Qualque benefício que possa existir, não se compara aos maleficios causados pela enorme distração causada por aparelhos celulares.

    A menos que você esteja formando uma classe de desenvolvedores de softwares para dispositivos móveis, não consigo vislumbrar nenhuma vantagem em "pesquisar" algo no celular durante uma AULA de verdade.
    Desta forma se mantém o foco e não temos aquelas aulas que mais parecem um chat de IRC, que na minha opinião não se aprende nada de verdade.

    Sou Tecnólogo em Análise de Sistemas, especialista em segurança da informação e comunicações. Sou a favor do uso de tecnologias para assistirem o processo de aprendizagem, porém de modo controlado. Qual controle se tem sobre o celular de alguém? Como pode ser possível alguém se concentrar para uma aula enquanto responde Facebook, Whatsapp, Gtalk, Youtube, Insta, já pensando no que vai fazer ao sair da aula, com quem, onde, como... Desta forma só se formam essa massa de alunos que não sabem Matemática, Física, Química e que quando conseguem entrar em alguma instituição de nível superior, precisam passar por um semestre de "nivelamento", que no meu entendimento é um nivelamento por baixo.

    Se uma escola pretende oferecer acesso a Internet como ferramente de apoio, que o faça de maneira igualitária e controlada para todos os alunos. O acesso a celulares em salas de aula, além de tudo, evidencia as diferenças sociais uma vez que nem todos dispõem de aparelhos móveis ou mesmo recurso de Internet.

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  2. É possível sim, Carneiro, dar uma aula de verdade com alunos e seus celulares em sala de aula - inclusive com crianças e jovens. Existem inúmeros exemplos internet afora de experiencias bem sucedidas onde celulares são usados na aula para responder questionários (criados pelo professor) no Google Forms, fazer pesquisas, consultar dicionários, blogs, atividades colaborativas, explorar fatos e locais no Google Earth, apps educativos, etc, sem falar na gameficação das aulas através de aplicativos previamente definidos. Claro que podem haver desvios de atenção, mas quando a atividade é bem coordenada, não tem erro: os alunos saem maravilhados, pois até pra eles uma aula 'tecnológica' é algo novo que derruba os muros entre a escola e seu cotidiano. A proposito, sou analista de sistemas e pedagogo (séries iniciais).

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  3. Discordo do seu ponto-de-vista.

    Distrações existem em todo o lugar, inclusive nos laboratórios de informática tradicionais. É fato que na maioria das escolas públicas - e também particulares -, a maioria dos computadores dos laboratórios é simplesmente "ligada direto no modem" sem qualquer segurança ou porque não sabem configurar ou porque, caso a configuração seja feita, haverá dor de cabeça para os "administradores" devido aos usuários que, justamente, não conseguem acessar esses sites. Afinal, é óbvio que, hoje, a maior tarefa dos professores em um laboratório de informática é ficar vigiando os alunos para evitar que eles usem redes sociais, jogos e mensageiros instantâneos - eu passei por isso!

    No entanto, isso não justifica o banimento da tecnologia. Sugiro que você leia os materiais da Unesco nos links que eu indiquei e veja exemplos que deram certo.

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  4. A mais perfeita da aulas e o mais perfeito dos softwares educacionais nunca serão tão atraentes quanto o blablabá dos grupo do whastapp, a foto da menina que caiu na internet, as das fotos dos amigos do facebook, os joguinhos do celular, os vídeos do youtube ou o mp3 online de Michel Teló.

    Não minha opinião lugar de celular de aluno é em casa. Todos os pais devem ter o telefone da escola para em caso e situações de emergências.

    A pouco tempo atrás era impensável um aluno entrar na escola com um videogame NITENDO, um DVD, um SOM ou uma TV.

    Hoje alguns defendem o uso na escola do celular que é dispositivo que agrega tudo isso e ainda muito.. muito ...muito... MUITO mais!

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