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A falência do sistema educacional brasileiro

Recentemente, o Brasil ficou chocado com a notícia de que uma professora foi agredida por um aluno em sala de aula em São Paulo. Pelo tom da notícia, parece que um disco voador pousou no pátio da escola mas, para quem está envolvido no âmbito educacional, sabe que esse fato que tanto chamou a atenção nada mais é do que o cotidiano daqueles que escolheram trabalhar com a educação.



Esta reportagem do G1 traça um perfil real do que nossas escolas - públicas e particulares - se transformaram hoje em dia. Citando as palavras de Sérgio Kotado, "Os professores perderam todos os mecanismos de controle e a violência ficou banalizada dentro da sala de aula." E isso é verdade. Não precisamos ir ao extremo de o professor fazer o aluno ajoelhar no milho, como acontecia há cem anos atrás, mas em algumas instituições, se o docente simplesmente mandar o aluno ficar quieto, isso já é motivo para o mesmo ser advertido ou punido com mais severidade.


As causas também são citadas na reportagem: a progressão continuada e a falta de estrutura nas escolas. Hoje, o professor não pode mais rodar um aluno que não sabe a matéria: ele simplesmente é obrigado a aprová-lo, o que causa absurdos, como o fato de que alunos que estejam no terceiro ano do Ensino Médio não saibam fazer uma simples divisão.


Para coroar o total sucateamento do sistema de ensino, temos iniciativas governamentais como o ensino politécnico e a educação integral que, embora sejam louváveis, enfrentem muita resistência por parte dos docentes e dos gestores escolares pelo simples fato de a maioria das escolas públicas não terem estrutura para tal mudança. Em uma escola grande, implementar o estudo em dois turnos é fácil, mas em uma pequena, que vive com as contas apertadas, isso pode ser um pesadelo. Em que salas colocaremos os alunos? Em que laboratórios eles estudarão? Quem lecionará as matérias extras? Quem vai bancar o custo disso tudo? Essas são apenas algumas das perguntas que deveriam ter sido - mas que não foram - respondidas quando da aprovação de tais projetos.


Violência na escola


Além disso, temos o total distanciamento da realidade escolar para com o cotidiano do aluno. A maioria dos estudantes, em sua vida fora da escola, não sabe como ou em que vai utilizar um cologarítimo, uma fração equivalente ou um número complexo. Isso causa desinteresse e revolta no estudante, que aliadas à mídia, que valoriza a ostentação e a precoce introdução do sujeito à sexualidade, corrobora para a formação dos famosos bondes ou grupos de adolescentes arruaceiros - os populares "vida loka" - que não enxergam limites, se exibem nas redes sociais, marcam seus territórios através de pichações e estão dispostos a enfrentar tudo e todos que se metam em seu caminho.


Uma pessoa que tenha estudado em uma escola pública nos anos 1960 a 1980 pode ficar estarrecida ao ver no que aquelas instituições, que naquela época eram infinitamente melhores do que as particulares, se transformaram. Mas por que houve essa mudança? Primeiro porque, daquele tempo para cá, houve várias mudanças políticas e sociais que, intencionalmente ou não, promoveram um lento e gradual sucateamento dos métodos de ensino. Atualmente, muitos professores não encontram tempo e disposição para desenvolverem atividades diferentes e atrativas, escolhendo se prenderem ao famoso livro didático, que muitas vezes não é adequado à realidade daquela turma em particular, aumentando o círculo vicioso. Some-se a isso a rápida expansão das redes sociais e o fato de muitos docentes e pais também não estarem preparados para elas, o que expõe o adolescente a conteúdos inapropriados. Sem alguém para lhe dizer o que é certo ou errado, o jovem escolherá ficar do lado de seu grupo social - seus amigos - para conquistar aceitação e reconhecimento.


Assim, o sistema educacional brasileiro está na UTI e respirando por aparelhos. Precisamos de uma reforma imediata - e esta não se faz simplesmente deixando o aluno mais tempo na escola.

Comentários

  1. Olá, André!

    Que ótimo post de opinião. Acrescentar algo seria redundante pra mim. Se escolas públicas já caminham assim há décadas, as escolas privadas parecem que vão seguir o mesmo rumo. Se preocupam demais com seus lucros e menos com a Educação dos jovens.

    Um abraço!

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  2. Excelente tópico, André. O que vejo de maior dano é esta tendência de intelectuais da USP, que nunca entraram em uma sala de aula da periferia, ditar o que deve ser feito na educação. Infelizmente não vemos propostas sérias hoje na educação. A principal bandeira dos partidos é reduzir a evasão escolar (agora tem até candidato querendo dar dinheiro para alunos - é o fim do mundo mesmo!). Evasão escolar diminuída não significa melhoria da qualidade do ensino, e eu tenho a impressão de que pode significar exatamente o contrário, nas condições atuais. É preciso sim acabar com esta proposta ridícula de progressão continuada, que é brilhante no papel e funcionaria muito bem na Suiça ou em países com boa situação social, mas jamais funcionará no Brasil, com professores mal remunerados, tendo que dar conta de salas de aulas com quase 40 alunos, e constantemente ameaçados por alunos que sabem que não serão punidos. Precisamos de menos políticos e intelectuais da educação, e mais valorização ao profissional que está na linha de frente, e que é quem pode fazer a diferença.

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  3. Em primeiro, qual a chance de alguem ler um texto dessa magnitude, meu caro? não estou falando do texto publicado, que na minha humilde opniao esta muito bom, sintético e objetivo... estou falando desse comentario pré-estabelecido, com um ponto de vista particular de alguem que a principio nao é ninguem!

    A muito tempo que a discussão não é mais, POR QUE ensino e sim QUAL ensino...
    Não precisamos ir muito além para saber que até mesmo os cursos universitarios sofrem com diversos tipos desses mesmos problemas do ensino medio. Junte a falta de preparo dos educadores em todos os setores e teremos o nosso panorama educacional.

    Perdemos o Bril da juventude, como já diria Elis... "Eles venceram, e o sinal esta fechado para nós, que somos Jovens"

    O Brasil deixou de ser o pais do futuro
    a Patria que seria um Imperio colonial, para se tornar a terra de ninguem!

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  4. Faltou dizer quem é o grande responsável pela falência do sistema educacional brasileiro: Paulo Reglus Freire. Aliás, não só ele, outros como Antonio Carlos Gomes da Costa e todo o séquito de discípulos da pedagogia marxista falida que destruiu primeiro a autoridade moral do professor, depois tratou de criar arcabouço legal para blindar o menor, tornando-o alvo de todos os direitos e nenhum dever.

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