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Adobe: amiga do HTML5?

Embora todos estejamos carecas de saber (alguns mais do que outros, diga-se de passagem) que a Informática evolui a passos largos, uma discussão recorrente vem tomando conta do mundo do webdesign e, em especial, do software livre: a batalha entre Flash e HTML5. E, em meio a essa guerra, surge uma discussão: será que a Adobe está realmente do lado dos padrões abertos?



Embora seja difícil que alguém não conheça, o Flash é uma plataforma de animação vetorial 2D criada por uma empresa chamada Macromedia em meados dos anos 90. A empresa foi adquirida pela Adobe em 2005, a qual detém, desde então, os direitos sob a tecnologia.


Nos anos 90 e início dos 2000, a tecnologia Flash foi bastante admirada pelos profissionais da web. No Volume 9 do Manual da Internet, uma publicação em fascículos vendida pelos jornais Zero Hora e Diário Catarinense em 1999, a qual reencontrei hoje enquanto estava procurando outra coisa, é dito que "alguns especialistas inclusive afirmam que a animação multimídia pode acabar com a linguagem HTML e suas variações", uma afirmação ousada, proferida em uma época na qual o leiaute das páginas era desenhado através de tabelas, que quase se concretizou nos anos seguintes.


Antes de sairmos atirando pedras, é necessário situarmos o leitor mais novo de que, naquele tempo, as páginas de internet eram mais estáticas do que hoje. Não havia HTML5, JQuery, Ajax ou quaisquer outras firulas que temos hoje, em abundância. Quem quiser ter uma ideia de como era a web naquele tempo, pode navegar no Web Archive ou visitar a página do Richard Stallman. Nesse cenário, uma tecnologia que permitisse criar animações, ainda que proprietária, era bem-vinda, pois possibilitaria maior interatividade com o site. Se eu quisesse mostrar como funciona um motor à combustão, seria possível, ao invés de colocar uma série de desenhos estáticos, inserir uma animação que mostrasse aquele motor em movimento. Uma maravilha... só que não.


Além do fato de o Flash ser uma tecnologia proprietária, existem outros dois pontos que o tornam desagradável: o primeiro é o fato de ele não ser uma tecnologia acessível - ou ao menos não tão acessível quanto o próprio HTML -, o que dificulta sua utilização por portadores de necessidades visuais, por exemplo. A outra, mais óbvia, é que ele é absolutamente pesado, exigindo mais poder de processamento e memória para as máquinas (principalmente em uma época na qual os computadores top de linha tinham apenas 64 MB de memória RAM).


Como se tudo isso não bastasse, no início da década de 2.000, houve uma verdadeira febre pelo Flash entre os webmasters, que passaram a usar aquilo que fora originalmente projetado para se criar pequenas animações ou anúncios para desenvolver sites inteiros! Centenas de páginas eram feitas inteiramente em Flash, cheias de animações que demoravam uma eternidade para serem carregadas!


Felizmente, com a ascensão dos telefones móveis, isso começou a mudar. Obviamente uma tecnologia tão pesada quanto o plugin proprietário da Adobe mataria, em poucos minutos, a bateria dos celulares, além de expor o dispositivo a falhas de segurança. Em 2010, houve uma controvérsia envolvendo a Adobe e a Apple, que se recusou a incluir o plugin em seu iPhone e, a partir daí, também graças aos padrões abertos, a tecnologia começou a desmoronar.


Atualmente, graças ao HTML5, ao CSS3 e a recursos como o jQuery, podemos construir muitas das animações que, há alguns anos, seriam feitas em Flash, de forma nativa, com o adicional de que elas serão executadas naturalmente pelos principais navegadores atuais sem a necessidade de plugins fechados, além de serem muito mais leves e acessíveis. É claro que o HTML5 ainda não preenche todas as lacunas - ainda não conseguimos criar um sistema de transmissão de vídeos, como os Hangouts, sem o Flash, por exemplo - mas estamos avançando.


A própria Adobe está. lentamente, matando o Flash: ela descontinuou as versões do plugin para Android e Linux e está criando programas para criação de animações HTML5, como o Adobe Edge. E é aí que mora o perigo.


Voltando à década de 1.990, a Microsoft utilizou algumas práticas, digamos, não muito éticas para tornar o seu navegador, o Internet Explorer,, padrão, em detrimento do outrora onipresente Netscape. Entre tais práticas, estão algumas "personalizações" do HTML e do CSS originais. Um dos exemplos mais clássicos: para determinar, via CSS, a altura e o comprimento de um objeto, utilizam-se os parâmetros height e width, respectivamente. Mas, para o Internet Explorer (e o programa de criação de páginas Front Page), tais informações eram passadas por _height e _width. Na prática, isso significava que um site que seguisse as tags padrão seria visualizado corretamente no Explorer, mas um site que usasse as tags do Explorer só seria visualizado corretamente no navegador da Microsoft.


O mesmo pode estar acontecendo agora com a Adobe. Empresa alguma aceitaria eutanasiar um de seus principais produtos em favor de um padrão aberto. Assim, mesmo que a empresa Adobe esteja criando programas para "facilitar" a criação de animações em HTML5, aqui nós temos dois pontos de preocupação: primeiro, poderá haver uma dependência dos webmasters e webdesigners em relação a essas ferramentas proprietárias ("Eu só sei fazer no Edge e não me sinto a vontade em outro programa") e, segundo, pode ser que a Adobe inclua, com o tempo, extensões e bibliotecas proprietárias no HTML5, no CSS3 e no JavaScript para a criação e a execução das animações, de forma que, quem não as possuir, será prejudicado. O mesmo ocorre, hoje, com o padrão PDF da mesma empresa: a norma ISO relativa ao PDF é uma versão antiga com funcionalidades básicas; o padrão atual da Adobe possui várias extensões e recursos que não constam na norma original, o que dá aos produtos Reader uma vantagem em relação aos concorrentes.


Com isso, temos de tomar cuidado ao sair abraçando todos os padrões abertos que vemos por aí: não basta ser aberto, tem que ser livre!

Comentários

  1. Veja: http://en.wikipedia.org/wiki/Embrace,_extend_and_extinguish

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  2. Já fico imaginando a primeira versão do DRM para HTML. Era uma lenda mas agora estamos próximos disto.

    Quanto tempo vai demorar pra que a Adobe inclua um novo formato de vídeo? Um novo formato de áudio? Uma nova lib distribuída através de uma CDN e não hospedada junto com o site?

    Esqueceu de falar do WebGL, uma extensão do HTML5 para renderizar gráficos de alta performance.

    A guerra dos navegadores já acabou.

    Antigamente tinhamos o Internet Explorer 5.0 que apesar de vulnerável, tinha um excelente nível de privacidade.

    Hoje temos o ®Mozilla Firefox que já vem compilado para enviar todas as informações pro Google™ e nas últimas versões se tornou mais "social" incluindo uma opção pra mandar tudo pro spybook™, do outro lado temos o Google Chrome™, que assim como o ®Mozilla Firefox, relata todas as atividades ao Google, e o opera que lhe oferece a possibilidade de redirecionar todo o tráfego da Internet para os servidores do.. opera. A microsoft não ficou pra trás e criou o smart screen que envia as informações de navegação pra microsoft.

    Acho que a Adobe vai levar as mudanças mais pro lado da DRM mesmo com o tempo, e pra variar apenas alguns dispositivos e softwares suportarão isso e bla bla bla temos o mesmo loop de sempre.

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