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Como utilizar a Matemática para "hackear" a inflação

Como todos nós sabemos, a grande vilã das décadas de 1980 e 1990, a inflação, está de volta com força total. Os bens de consumo e o custo de vida estão ficando mais caros e nossos salários, cada vez menores. Se, antes, você conseguia fazer todas as suas compras do mês e ainda sobrava algum trocado, hoje você pode considerar um milagre se o seu salário durar até a última semana do mês.


Infelizmente, como explicado no livro Os Números (não) Mentem, a Matemática é utilizada, muitas vezes, para enganar a população e convencê-la daquilo que pessoas que não precisam se preocupar com o final do mês querem que o povo acredite.


Já que contar com o Governo para reverter esse quadro econômico está fora de questão, abaixo dou algumas dicas para você driblar essas artimanhas e economizar alguns trocados. Pode ser pouco, mas também pode fazer a diferença. As dicas 1 a 6 cobrem truques sobre como comprar no supermercado e as de 7 a 10 são mais gerais para o dia-a-dia.




1. Troque seis por meia dúzia


Muitas vezes, comprar algum produto em grande quantidade pode sair mais caro do que comprar pequenas porções do mesmo. Exemplificando: digamos que você queira comprar 500g de café. No supermercado, uma caixa com essa quantidade está a R$ 7,50 e uma caixa com 250g está a R$ 3,60. Pela sua necessidade, você certamente compraria a caixa maior, mas se você levar uma calculadora e parar para pensar um pouco, verá que, se ao invés da caixa de 500g levar duas de 250g, você gastará, ao todo, R$ 7,20 e terá economizado R$ 0,30 em relação à caixa grande.


A princípio, isso pode parecer nada, mas se você aplicar esse raciocínio a toda sua lista de compras, poderá fazer uma economia significativa ao final do mês.


O inverso também vale: algumas marcas vendem um vidro grande a um preço e alguns sachês a um preço menor, dando ao consumidor a ideia de que os sachês são refis que devem ser colocados no vidro. Em geral, porém, a compra da quantidade de sachês para preencher a quantidade da embalagem original sai mais caro do que comprar o vidro completo. Mais uma vez, então, o segredo é levar uma calculadora e não se render ao impulso.



2. Compre em lugares diferentes


Dificilmente você vai encontrar tudo que precisa ao menor preço em um único local. O mais provável é que você encontre a alface mais barata no supermercado A, a cebola no B e assim por diante. O segredo, mais uma vez, é pesquisar. Faça uma lista dos locais que possuem os produtos que você precisa ao menor preço e compre onde eles forem mais baratos. Combinado à dica anterior, você poderá economizar ainda mais.


É claro que essa dica só vale se os supermercados em questão forem relativamente próximos: se você tiver que se deslocar por uma grande distância para chegar neles, no final o custo da gasolina empregada na viagem poderá compensar a economia.



3. Procure marcas alternativas


É claro que todos possuem sua marca preferida para algum item, mas essa marca nem sempre é a mais barata ou a que possui o melhor custo-benefício.


Nos dias de hoje, se prender a uma determinada empresa é burrice. Pesquise sobre as outras marcas que estão disponíveis e troque aquelas que você geralmente compra por outra de preço menor. Além de economizar, você poderá descobrir um produto melhor ou com mais vantagens.



4. Vá a supermercados populares


Embora tecnicamente sejam todos iguais, na prática temos supermercados voltados às classes C, D e E - como por exemplo Risul ou Dia - e aqueles voltados às classes A e B - como Nacional ou Zaffari.


Apesar de os supermercados voltados às classes A e B terem uma atmosfera mais agradável - eles possuem uma música ambiente calma e você dificilmente vai encontrar gente gritando, sem camisa ou discutindo a relação na fila da balança - seus produtos são, em geral, mais caros. Isso ocorre porque o preço, aí, é um filtro social por meio do qual eles dizem quem eles querem que frequente aquele estabelecimento - já que eles não podem barrar a entrada de alguém das classes sociais inferiores, eles sobem o preço para que eles não venham.


Se você estiver disposto a abrir mão de sua comodidade e ir a um supermercado popular, são grandes as possibilidades de você encontrar os mesmos produtos que está acostumado a comprar a um preço levemente menor, o que também poderá ser uma surpresa agradável no final do mês.



5. Compre em cidades menores


Não obstante à observação da segunda dica, é sabido que capitais e grandes metrópoles possuem um custo de vida mais elevado. Assim, se você se dispuser a ir para uma cidade vizinha menor, é grande a possibilidade de você encontrar produtos ainda mais baratos (sempre levando em consideração o preço da gasolina).



6. Compre pela internet


A maioria das lojas de departamento e também supermercados possuem produtos a um preço menor em seu site na Internet do que na loja física. Isso ocorre porque,  para manter o site, a loja não precisa pagar por vendedores, por água, por luz. Logo, comprar algum produto - como de informática ou eletroeletrônico - na rede pode sair mais barato do que ir a uma loja local.


É claro que o sucesso dessa dica depende de duas palavrinhas mágicas: frete grátis. Muitas vezes, o preço do frete torna o preço final mais caro do que se você fosse comprar na loja física. Por isso, é importante se ater a esse detalhe. Se você não puder dispor do frete grátis, sempre prefira a entrega por PAC, se disponível. Ela demora mais, mas é mais barata que o Sedex.



7. Reaproveite aquilo que você já tem


Dar uma vida nova naquilo que você já possui ao invés de comprar um produto novo é a melhor forma de economizar. Além de quebrar com o ciclo da obsolescência programada, você ajuda o planeta ao não contribuir para o aumento do lixo tecnológico.


Pense bem: se o seu telefone inteligente está lento e pedindo água, ao invés de comprar um novo, você pode abrir mão de alguns aplicativos que não utiliza ou instalar uma ROM alternativa; se seu computador já está se arrastando, ao invés de comprar um novo você pode fazer um upgrade de memória ou trocar o sistema operacional por alguma distribuição leve de Linux. Em geral, computadores, se bem cuidados, podem funcionar bem de 5 a 8 anos ou mais. Já se você está em uma faculdade e precisa de caderno, ao invés de comprar um novo para aquela matéria que você sabe que o professor não vai passar muita coisa, pegue o do semestre anterior, faça uma divisão e continue usando-o.



8. Adeus telefone, olá Skype!


Tarifas de telefonia são um dos maiores gastos que enfrentamos, seja em linhas pré ou p-os pagas.


Para economizar, que tal trocar seu telefone convencional por um VoIP? Programas como o Skype ou o Ekiga permitem que você converse com seus amigos - inclusive com vídeo - sem gastar nada! E se você precisar ligar para telefones convencionais, em geral os planos disponíveis são mais baratos do que os da sua operadora. Sem falar que eles estão disponíveis para Android e iOS e que existem até aparelhos de telefone VoIP, caso você não goste de ficar o tempo todo em cima do PC.



9. Desligue seus aparelhos da tomada quando não estiver utilizando


Apesar de o Governo ter baixado o preço da conta de luz, toda economia é bem-vinda e uma das formas mais simples de se reduzir os gastos com energia elétrica é simplesmente tirando os aparelhos da tomada.


Hoje, a maioria dos dispositivos eletrônicos possuem função de espera, na qual ficam consumindo um mínimo de energia até serem ativados, mas esse consumo, apesar de mínimo, existe. Ao invés de ficar com um led aceso, simplesmente desligue o aparelho da tomada à noite ou quando não estiver em casa (evidentemente, você não vai fazer isso com uma geladeira ou um freezer...).


Um modem roteador de banda larga que fica ligado 24x7, por exemplo, responde por cerca de R$ 5,00 na sua conta de luz. Parece pouco, mas faz diferença. Se você trabalha durante o dia, pode desligá-lo quando não estiver em casa ou de madrugada: além de economizar, evitará que os vizinhos penetras se aproveitem de sua conexão.



10. Leia as páginas da internet em seu tablet ou smartphone offline


As conexões móveis no Brasil são ruins e caras. Assim, ao invés de perder tempo esperando a página carregar ou desperdiçando seu pacote de dados com carregamentos intermináveis, leia as páginas offline.


Fazer isso é simples: você pode conectar seu gadget a uma rede wi-fi e utilizar algum aplicativo para baixar a página ou fazer o download dela em seu computador e transferir os arquivos para seu cartão de memória. Assim, quando estiver no ônibus ou em algum lugar em que você só dependa do 3G, basta ler os arquivos baixados sem precisar ativar o pacote de dados e economizar no consumo de tráfego.



Conclusão


Embora esse não seja um guia definitivo, espero que, com essas dicas, possa ter contribuído um pouco para fazer seu dinheiro durar um pouco mais. As coisas no Brazil só vão melhorar quando o povo deixar de ser passivo e começar a lutar de verdade pelos seus direitos. Milagres não existem.

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