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A Matemática e o bug do Pentium

Sem dúvidas, a Intel é a maior fabricante de chips para computador do mundo. Seus processadores, mesmo que não sejam os melhores para determinadas tarefas, são a referência para quem está tentando montar um novo computador. Mas na década de 1990, a empresa passou vários sufocos com aquele que, por muito tempo, seria seu carro chefe. É a famosa história do defeito de ponto flutuante dos processadores Pentium.



Como você deve saber, os computadores utilizam o sistema de numeração binário (popular base 2) como base de todas as suas operações. Esse sistema, embora simples e eficiente, possui suas limitações, a principal delas sendo uma forma de se representar números em ponto flutuante (os famosos números com vírgula). Como o computador, assim como as calculadoras comuns, não sabem trabalhar com grandezas infinitas, como números irracionais, foram criados alguns padrões industriais, como o IEEE 754, para definir como esses números seriam representados na base 2. Apesar de os padrões atuais serem satisfatórios, devido à própria natureza das máquinas ele não garante um nível adequado de precisão a partir de um certo número de casas decimais.


Ocorre que, em 1994, a Intel anunciou sua nova linha de processadores, sucessora do famoso 486, que foi rapidamente aceita pelos consumidores. Na época, o Pentium era um dos - para não dizer o - processadores mais rápidos do mundo e, aqui no Brasil, se popularizou com a chegada do Windows 95, apesar de já estar disponível cerca de um ano antes.


Acontece que a alegria durou pouco para a Intel. No ano de seu lançamento, um professor de Matemática do Lynchburg College, Thomas Nicely, estava escrevendo códigos para descobrir números primos gêmeos, tríplos e quádruplos. Esses números são um dos maiores mistérios da Matemática e são os da forma n e n+2, como por exemplo 3 e 5 ou 5 e 7.


Logo após seu laboratório ter recebido um novo computador baseado em Pentium, ele começou a perceber algumas inconsistências nos cálculos realizados. A primeira descoberta ocorreu em 13 de Junho de 1994, mas ele não podia determinar o que estava causando o erro. Foi só em 24 de Outubro daquele ano que ele, já tendo eliminado as outras hipóteses, entrou em contato com a Intel, a qual disse já estar ciente do problema desde Maio.


Rapidamente, a notícia se espalhou, indo parar até no NY Times e na televisão. A empresa quis tranquilizar seus consumidores dizendo que o erro era muito raro e que o usuário só o notaria uma vez a cada 27 mil anos. A IBM, no entanto, estragou a festa, dizendo que o erro poderia fazer-se notar uma vez a cada 24 dias - e ameaçou tirar do mercado todos os seus computadores equipados com o processador.


Um erro desses poderia levar a resultados imprecisos e incorretos não apenas os matemáticos mas, em teoria, todos os tipos de usuário, pois seus computadores estão realizando cálculos constantemente, seja em um jogo ou em um programa de edição de textos.


Intel transformou Pentiums defeituosos em chaveiros


Sem ter mais para onde fugir, a empresa anunciou que daria início a uma estratégia de recall e substituiria o processador apenas para aqueles usuários que provassem que utilizariam seus computadores para cálculos que exigissem precisão absoluta. O anúncio não agradou e, em 20 de Dezembro daquele ano, a empresa finalmente cedeu e aceitou substituir os processadores de todos os consumidores que fizessem o pedido.


Toda essa história resultou em um prejuízo de cerca de 450 milhões de dólares para a companhia, que transformou alguns dos processadores devolvidos em chaveiros que continham, em seu verso, uma frase de seu presidente: "Más companhias são destruídas pro crises; Boas companhias sobrevivem a elas; Grandes companhias são melhoradas por elas".

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