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Maomé, protestos contra os EUA e um mundo perfeito sem religiões.

As notícias que vemos atualmente nos meios de comunicação dão conta de mais uma crise no Oriente Médio. Dessa vez, com proporções maiores do que as demais que costumamacontecer naquele local.


Ao que tudo indica, o estopim, desta vez, foi um vídeo criado por um pastor ou outro cristão morador dos EUA onde o profeta Maomé, figura central do islamismo, é duramente ridicularizado. Situações como essa sempre levantam os ânimos não apenas das partes envolvidas mas também daquelas que não possuem relação alguma com o assunto. É o caso de alguns militantes ateus, que aproveitam a oportunidade para "pregar aos infiéis" que tais crises ocorrem única e exclusivamente por causa das religiões e que um mundo sem religiões seria um lugar perfeito, sem brigas, sem preconceitos, onde todos viveriam em paz e em harmonia. Será mesmo?



Em primeiro lugar, ambas as partes dessa tragédia estão grotescamente erradas. Os cristãos estadunidenses não possuem direito de atacar os fiéis de outras religiões e os muçulmanos não devem atacar as embaixadas dos EUA por causa do vídeo polêmico.


Muito se utiliza do argumento de que os cristãos foramperseguidos durante a História e ainda continuam sendo nos dias atuais. Essa afirmação, no entanto, não é totalmente verídica. Se, na Roma Antiga, eles eram dados de comida para os leões do Coliseu, após o declínio daquele império eles passaram de vítimas a algozes. Durante a Idade Média, os cristãos, através da Igreja Católica, perseguiram, torturaram, queimaram e mataram milhares de inocentes pelo simples fato de eles discordarem das palavras da Igreja.


Embora hoje as pessoas não sejam mais condenadas à fogueira por dizer heresias, os cristãos, agora em especial os evangélicos, se tornaram um dos povos mais discriminadores da face da Terra. Basta ver que, em qualquer site que publique uma notícia sobre o meio científico, lá estará nos comentários da matéria um ou vários cristãos que, sem entender nada do assunto, passam a citar versículos bíblicos e a exaltar seu Deus na desesperada tentativa de tentar salvar a alma dos que acreditam na Ciência.


Para os cristãos, todos aqueles que não acreditam no deus Javé e não aceitam Jesus estão condenados ao fogo do Inferno. Eles consideram, assim, que sua religião é a única correta, em detrimento de todas as demais. Fazendo isso, eles se tornam altamente preconceituosos e esquecem que a Bíblia é apenas um livro sagrado, assim como o Al Corão, os Vedas e o livro dos Mórmons, entre tantos outros. Não há motivos convincentes (para não dizer provas científicas) de que aquilo que está escrito na Bíblia é a verdade absoluta e que o conteúdo dos demais livros não passa apenas de conversa para boi dormir. Na verdade, há até dúvidas de que Jesus e outros importantes personagens tenham, de fato, existido. Assim como a Bíblia é a palavra de Deus para os Cristãos, o Al Corão é a palavra de Deus para os Muçulmano que, até prova em contrário, adoram ao mesmo Deus dos cristãos.


Por outro lado, os ataques islâmicos às embaixadas estadunidenses é algo totalmente injustificado. Embora saibamos que há um longo histórico de atritos sociais e políticos entre as nações árabes e o pessoal do Tio Sam, ao que tudo indica parece que os muçulmanos esqueceram-se de que o vídeo foi feito por uma pessoa ou instituição privada dos EUA e não pelo governo daquele país. Em outras palavras, o governo daquela nação tem absolutamente nada a ver com esse infeliz e polêmico filme. Assim, não se justifica o ataque às embaixadas, que são a representação daquele país em território estrangeiro, e muito menos o assassinato de seus representantes.


Com isso, podemos ver que nem os Estados Unidos e nem os árabes estão agindo da forma correta nessa disputa.


Como se não bastasse toda essa tragédia, em vários sites de notícias e fóruns de discussão, aparecem os ateus e céticos militantes dizendo que a culpa de tais acontecimentos é exclusivamente das religiões e que um mundo sem religiões seria perfeito. Nada disso.


Embora os recentes avanços científicos, como a descoberta do bóson de Higgs, já tenham comprovado que a figura de um Deus não é necessária para explicar a criação do Universo - falamos de um deus das lacunas, que age apenas naquilo que a Ciência não consegue explicar -, um mundo sem religiões não seria, necessariamente, um lugar perfeito sem guerras e desigualdades. Guerras não são causadas exclusivamente por causa das religiões e estas não necessariamente contribuem para o atraso científico.


Os ateus se esquecem que as guerras não possuem provocações exclusivamente religiosas mas, também, econômicas, raciais ou etnocêntricas. Se todas as religiões acabassem amanhã e os seres humanos se voltassem exclusivamente ao progresso da ciência, mais cedo ou mais tarde haveria uma nova guerra porque uma nação A se acha superior às demais ou porque quer conquistar o território de uma nação B ou or outro motivo qualquer.


Dizer que as religiões apenas atrapalham a ciência também é uma afirmação equivocada. A começar pelo fato de que existe uma ciência social específica chamada de Ciência das Religiões, que estuda tais crenças como fenômenos sociais utilizando o método científico. Além disso, a maioria dos que afirmam o desserviço religioso levam em consideração apenas a idade média europeia. No mesmo período, no Oriente Médio, Ciência e Religião andavam juntas e vários árabes - como Bhaskara, para citar apenas um deles - fizeram importantes descobertas em vários ramos, como Matemática e Astronomia, sem necessariamente abdicar de suas fés.


Com isso, vemos que as religiões não são, necessariamente, a causa de todo mal e que devemos evitar ao máximo as visões dicotômicas.


Ao afirmarem que as religiões são as causadoras dssas desgraças e que o mundo seriamelhor sem elas, os ateus se colocam no mesmo lugar dos cristãos que ridicularizam os crentes de outras fés. Dicotomizar e radicalizar não é a solução. A causa de todos esses conflitos não é, pois, um deus ou uma religião mas, sim, a intolerância que temos contra nós mesmos. É necessário que abramos nossas mentes e comecemos a respeitar integralmente o próximo.

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